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Estado de Minas

Tunísia, o berço da Primavera Árabe


postado em 13/10/2019 14:07

A Tunísia se destaca como um modelo de transição democrática bem-sucedida no mundo árabe desde a Revolução de 2011, apesar das dificuldades econômicas, enquanto os outros países foram mergulhados no caos, na repressão, ou na guerra.

Aberto em seu flanco norte e leste até o Mar Mediterrâneo, com 1.300 km de costa, este país do norte da África faz fronteira com a Argélia, assim como com a Líbia, ao sul, e tem mais de 11,5 milhões de habitantes.

Conheça mais sobre a Tunísia no quadro abaixo:

- Fim do protetorado francês -

Em março de 1956, este protetorado francês obteve sua independência e, um ano depois, foi proclamada a República, presidida pelo pai da independência, Habib Bourguiba.

Após uma longa gestão autoritária, foi afastado do poder em 1987 por seu primeiro-ministro, Zine El Abidine Ben Ali, reeleito sucessivamente em várias eleições polêmicas.

- Revolução -

Em 17 de dezembro de 2010, um vendedor ambulante, cansado da miséria e da humilhação policial, ateia fogo ao próprio corpo e deflagra um movimento de protesto contra o desemprego e o custo de vida. A revolta se espalha por todo país.

Em 14 de janeiro de 2011, Ben Ali foge para a Arábia Saudita, e a revolta popular chega a outros países árabes.

Em outubro, o movimento islâmico Ennahdha vence as primeiras eleições livres na história do país.

Em 2014, a Tunísia adota uma nova Constituição e organiza eleições legislativas. O partido anti-islâmico Nidaa Tounes sai vitorioso das urnas e forma uma incomum aliança de governo com o Ennahdha.

Em dezembro, Beji Caid Essebsi é eleito presidente por sufrágio universal. Ele morre em julho de 2019.

- Direitos para as mulheres -

A Tunísia é considerada pioneira no norte da África e no Oriente Médio nos direitos das mulheres. Em 1956, adotou o Código do Estatuto Pessoal, que aboliu a poligamia, instituiu o divórcio judicial e estabeleceu em 17 anos a idade mínima para casar, em se tratando das mulheres, com seu consentimento, além de outros direitos.

A Constituição de 2014 introduz uma meta de paridade nas Assembleias de Representantes e, em 2017, foi votada uma lei para combater a violência sexista.

- Atentados -

Em 2015, três ataques reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) deixaram 72 mortos.

Um ano depois, os jihadistas mataram 13 membros das forças de segurança e sete civis no sul do país.

Embora a segurança tenha melhorado, o estado de emergência foi mantido desde então.

- Dificuldades econômicas -

Em 2016, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concedeu um empréstimo de 2,4 bilhões de euros por quatro anos à Tunísia, em troca da implementação de amplas reformas.

O crescimento atingiu 2,5% em 2018, após anos de estagnação, mas o FMI espera que caia abaixo de 2% em 2019.

Um dos principais produtores de azeite e fosfato - um recurso estratégico, o país tem dificuldades para reduzir o desemprego.

Em queda após os atentados, o número de turistas voltou a crescer nos últimos anos.

- Patrimônio cultural -

A Tunísia conta com vários locais inscritos no Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (Unesco), como as medinas da Tunísia e Susa, o sítio arqueológico de Cartago (norte), ou a cidade de Kairuan, capital da Tunísia no século VIII e considerada a quarta cidade sagrada do Islã.


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