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Estado de Minas

'AL se beneficiou das tensões comerciais', diz economista do Bird


postado em 12/10/2019 16:37

A América Latina se beneficiou das tensões comerciais, pelo menos até o momento - disse à AFP o economista-chefe para a região do Banco Mundial (Bird), Martín Rama, advertindo que uma desaceleração moderada das grandes economias pode ter fortes repercussões.

"Até agora, majoritariamente, a região se beneficiou das tensões comerciais. O México se tornou o maior exportador para os Estados Unidos, o Brasil tomou a posição dos exportadores de soja", afirmou.

Segundo as previsões publicadas esta semana pelo Banco Mundial (Bird), à exceção da Venezuela, a região registrará um aumento de 0,8% em 2019, depois de encerrar 2018 com uma expansão de 1,5%.

O Banco Mundial projetou uma melhora nas perspectivas para o próximo ano, com uma expansão de 1,8%.

"Não vemos a desaceleração na região relacionada principalmente com os problemas que estamos vendo na economia mundial. A desaceleração na região se deve ao fim do superciclo dos preços das matérias-primas", explicou o economista.

Rama advertiu, porém, que uma desaceleração de meio ponto percentual nas economias do G7, ou de um ponto na China, pode ter um efeito importante "em uma região que apenas registra crescimento".

"Isso pode implicar cair no negativo. Do ponto de vista comercial, a situação não é dramática, mas não é boa", explicou.

Segundo o informe, na Argentina, a crise vai-se aprofundar, com uma contração de 3,1% em 2019, uma situação que se projetará sobre o próximo ano, quando se espera que o PIB volte a se reduzir, em 1,2%.

"Nossa expectativa é que as coisas piorem antes de se endireitarem", disse o economista, depois que a Argentina terminou 2018 com uma contração de 2,5%.

Rama apontou ainda que as três grandes economias latino-americanas estão atravessando dificuldades.

"Argentina em crise, Brasil emergindo de uma recessão, e o México para uma desaceleração, com taxas que tampouco eram muito altas antes", indicou ele, em um momento em que se projeta que o crescimento do Brasil em 2019 deve ser de 0,9%, e o do México, de 0,6%.

Em contrapartida, completou, a média do crescimento na América Latina é mais alta e se situa em 2,5%.

Para o economista, o panorama da região é muito diverso, o que mostra que as políticas internas e, especificamente, as políticas comerciais importam.

"Neste ponto, as políticas domésticas importam mais do que o ambiente externo", concluiu.

Em relação à Venezuela, ele explicou que o Banco deixou de projetar números, mas acompanha a situação de perto.

"Não projetamos números sobre a Venezuela, porque ainda há muita incerteza. Mas, do ponto de vista analítico, trabalhamos junto com outras organizações internacionais. Estamos acompanhando a situação muito de perto", afirmou.

Para 2020, o Banco Mundial vê um crescimento regional "atenuado".

"Não é um acidente de um ano, ou dois. Podemos ter uma crise, aqui ou ali", afirmou, citando os países que estão em dificuldade, como Argentina, Equador, ou Nicarágua.

"Em geral, o panorama é de um crescimento lento. E este é um panorama que não requer políticas macro, requer reformas estruturais", concluiu.


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