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Estado de Minas

Cuba abre alas para nova geração no governo, sem renunciar ao socialismo


postado em 10/10/2019 12:01

O socialismo, o partido único e a eleição indireta permanecem, mas algumas estruturas mudam: Cuba inaugura nesta quinta-feira (10) um sistema de poder repartido em várias mãos.

A Assembleia Nacional (Parlamento) vai eleger, entre seus atuais 599 deputados, o presidente da República, um cargo que desapareceu em 1976, assim como o vice-presidente e o chefe do Parlamento.

Até agora, a principal figura era o presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, posto ocupado por Fidel (1976-2008) e Raúl Castro (2008-2018), que também tinham o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba.

Em abril de 2018, Miguel Díaz-Canel, agora com 59 anos, sucedeu a Raúl, de 88, que vai manter a liderança do PCC até 2021, quando espera se aposentar, perto dos 90 anos.

Espera-se que Díaz-Canel passe a ser o presidente da República e se cerque de seus contemporâneos, sempre sob o olhar atento dos líderes históricos.

"É de se esperar uma renovação geracional", disse à AFP o jurista Julio Fernández Estrada.

O governante tem a tarefa de estimular a lenta reforma econômica da ilha, em um contexto adverso.

Washington reforça o bloqueio que desde 1962 aplica contra a ilha e acusa Cuba de apoiar militarmente o governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Agora, aplica sanções aos barcos que transportam petróleo de Caracas, o que provocou uma escassez de combustível.

A estrutura de governo surge de uma nova Constituição aprovada no começo do ano, criticada pelo chefe da diplomacia americana Mike Pompeo. Para o secretário de Estado dos EUA, com ela, Cuba consolida seu sistema socialista sem "garantir ao povo cubano liberdades fundamentais".

- Nova geração com Internet -

"Uma nova geração de líderes chega ao poder, com uma estrutura institucional mais coletiva e um mandato de reforma" da economia, disse à AFP o acadêmico cubano Arturo López-Levy, da Universidade Holy Names, da Califórnia.

Mas "a seleção de pessoal passou pelos antigos líderes partidários, que agiram com importantes poderes de veto", acrescentou.

A lista foi elaborada por uma comissão de candidatos, após consulta aos deputados, e será conhecida apenas no momento da eleição, que é indireta.

Na véspera, "não sabemos quem são os candidatos", acrescentou Fernández Estrada.

"Há uma faixa da população de entre 16 e 30 anos que expressa sua discordância com a eleição indireta nas redes sociais", prevista na Constituição aprovada em abril, afirmou.

Em dezembro, a rede 3G chegou a Cuba, abrindo espaço para uma sociedade civil crítica, mas não necessariamente uma oposição.

- Parlamento e primeiro-ministro -

O presidente da República será o chefe de Estado e, em dezembro, nomeará um primeiro-ministro, outra figura que retorna à estrutura política.

Segundo Fernández Estrada, o sucesso dessa dupla "depende das relações pessoais" entre os dois.

"O país será governado pelas mesmas pessoas, mas, talvez em alguns assuntos, o fará de maneira mais contemporânea com o presente e menos ligado a preconceitos que agem como limitações autoimpostas", afirmou o cientista político Jorge Gómez Barata.

Na mesma reunião, o Parlamento deve renovar sua mesa diretora.

Esteban Lazo, de 75 anos, que ocupa a presidência desde 2013, pode ser substituído, seguindo a tendência atual de funcionários que não excedem os 60 anos de idade.


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