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Estado de Minas

Operação turca na Síria pode resultar em uma volta do Estado Islâmico


postado em 08/10/2019 09:55

Uma operação da Turquia na região nordeste da Síria poderá provocar o ressurgimento do grupo Estado Islâmico (EI), de acordo com forças curas e vários analistas, apesar do compromisso de Ancara de impedir o retorno do grupo extremista.

O ministério turco das Defesa anunciou nesta terça-feira a conclusão dos preparativos para uma operação militar contra a milícia curda no norte da Síria.

Uma operação militar reduziria a zero os anos de combates contra o EI, advertiram as Forças Democráticas Sírias (FDS), coalizão dominada por combatentes curdos e que controla grande parte da região nordeste da Síria.

O temido grupo jihadista foi derrotado na Síria em março graças a uma ofensiva no leste do país liderada por forças curdas, que receberam o apoio da coalizão internacional comandada por Washington. Os curdos já haviam conquistado diversas vitórias no norte do país contra o EI.

- "Células adormecidas" -

Embora o "califado autoproclamado" pelo EI tenha sido erradicado, o grupo extremista se transformou em uma organização clandestina com células adormecidas, que continuam executando ataques.

"O EI continua sendo uma ameaça que pode ser ampliada como uma metástase, caso as FDS desvem recursos e atenção a uma batalha defensiva contra a Turquia" explica à AFP Sam Heller, do centro de pesquisas International Crisis Group.

"A batalha contra o EI não terminou. Há centenas de células adormecidas nas zonas recentemente liberadas" afirma Abdel Karim Omar, alto funcionário da administração curda.

Uma ofensiva turca ameaçaria também as prisões e os acampamentos, administrados pelos curdos, que abrigam muitos jihadistas e suas famílias, advertem as FDS, que temem perder o controle destes centros.

Somente o acampamento de Al Hol, no nordeste sírio, abriga mais de 70.000 deslocados, incluindo 3.000 famílias de jihadistas, segundo a administração curda.

"Estes criminosos poderiam escapar", disse Omar, ao recordar que os centros de detenção são apenas locais simples com alguma fortificação.

O acampamento de Al Hol é considerado uma "bomba relógio", com vários incidentes.

Os milhares de estrangeiros - incluindo ocidentais - detidos em Al Hol são "tão perigosos quanto os milhares de combatentes do EI" detidos em outros centros, indica a administração curda em um comunicado, no qual cita agressões diárias com arma branca, assassinatos e tentativas de fuga.

Em setembro, o líder do EI, Abu Bakr al Bagdadi, pediu a seus partidários, em uma gravação, a "salvar" os jihadistas e suas famílias que vivem nos acampamentos e prisões.

De acordo com o Institute for the Study of War (ISW), o EI suborna guardas para retirar as mulheres de maneira clandestina. E agora "prepara provavelmente operações mais coordenadas e sofisticadas para libertar seus integrantes detidos", afirma o ISW.

A Turquia afirmou que "não permitirá o retorno do EI, de uma forma ou outra".

Mas os analistas consideram que Ancara poderia, involuntariamente, favorecer o ressurgimento de uma nova dinâmica jihadista.

"A Turquia não atacará voluntariamente os acampamentos e as prisões, mas poderia bombardeá-las acidentalmente" explica à AFP o analista Samuel Ramani.

Sam Heller citou o caráter "vulnerável" dos acampamentos, caso as forças curdas precisem recuar para posições defensivas.


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