O início do Dieselgate
Em setembro de 2015, após as acusações da agência ambiental americana (EPA), a Volkswagen reconheceu ter equipado 11 milhões de veículos com um software capaz de manipular os resultados dos testes para que parecessem menos poluentes.
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Derrapadas da Volkswagen e da Nissan custarão caro para chefõesUE acusa BMW, Daimler e Volkswagen de violação de leis antitrusteSEC acusa Volkswagen e executivo de fraude em emissão de bônusOs motores a diesel emitem menos CO2 que os de gasolina, mas mais NOx.
A fraude afetou principalmente a marca VW do grupo Volkswagen, mas também outras, como Porsche, Seat e Skoda.
Consequências jurídicas
Nos Estados Unidos, a Volkswagen assumiu a culpa dos crimes de fraude e obstrução da Justiça, e apenas a Comissão de Bolsa e Valores (SEC) ainda tem ações judiciais contra o grupo.
Nove dirigentes antigos e atuais do grupo foram considerados culpados, entre eles o ex-presidente Martin Winterkorn e dois engenheiros, que foram condenados.
Em 2017, a Justiça aprovou uma indenização de cerca de 600 mil clientes, elevando a US$ 22 bilhões os gastos destinados às autoridades, os clientes e as concessionários.
Na Alemanha, as marcas Volkswagen, Audi e Porsche pagaram em 2018 e 2019 respectivamente 1 bilhão, 800 milhões e 535 milhões de euros de multa.
Em setembro, o Ministério Público acusou o atual CEO, Herbert Diess, e o chefe do conselho de vigilância, Hans Dieter Pötsch, por "manipulação das cotações da bolsa", junto a Winterkorn, que já foi acusado de "fraude agravada".
O ex-presidente da Audi, Rupert Stadler, também está prestes a ser julgado.
Investidores pedem compensação
Em setembro, teve início um julgamento com os investidores, que pedem 9 bilhões de euros em compensações e acusam a Volkswagen de ter demorado demais para informar os mercados financeiros da fraude - que em dois devorou mais de 40% do valor das ações.
Ao todo, há cerca de 60 mil denúncias individuais de clientes - das quais uma parte terminou em acordos com a companhia.
O Ministério Público de Paris abriu uma investigação por fraude agravada em fevereiro de 2016.
Autoridades italianas de concorrência condenaram a Volkswagen em 2016 a uma multa de 5 milhões de euros por "práticas comerciais incorretas".
O impacto econômico da fraude
Até agora, o escândalo custou ao fabricante 30 bilhões de euros para revisar veículos e enfrentar os processos judiciais.
Em 2016, a Volkswagen sofreu prejuízos anuais pela primeira vez em 20 anos.
Desde então, o grupo voltou a ter lucro recorde, mas recentemente teve que fazer grandes investimentos para a transição para os carros elétricos, que afetam sua rentabilidade.
A Volkswagen lançou um ambicioso plano de eletrificação de mais de 30 bilhões de euros para atender às novas restrições de emissão de CO2 em 2020.
Desde que os escândalos vieram à tona, as vendas de carros a diesel caíram na Europa, e os modelos antigos não poderão circular em muitas cidades da Alemanha.
Reflexos sobre outros fabricantes
BMW: Reconheceu em 2018 ter equipado "por engano" seus veículos a diesel com um programa similar.
A fabricante, que sempre negou ter cometido fraude, aceitou pagar uma multa de 8,5 milhões de euros no começo de 2019, mas a investigação penal por fraude foi arquivada.
DAIMLER: Aceitou em setembro pagar 870 milhões de euros de multa por ter vendido veículos a diesel que não respeitavam as normas antipoluição, mas nega ter utilizado um software ilegal.
Ainda há investigações criminais, sobretudo por fraude, contra quatro diretores da Daimler, que comercializa a Mercedes Benz.
OPEL: A filial alemã da PSA também está sendo investigada.
FIAT CHRYSLER: Fechou em janeiro um acordo amistoso com as autoridades americanas, que lhe acusam de ter equipado seus veículos com um programa fraudulento.
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