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Estado de Minas

Eurocâmara rejeita candidatos da Romênia e Hungria para Comissão Europeia


postado em 30/09/2019 13:31

A Eurocâmara rejeitou, nesta segunda-feira (30), por conflito de interesse as candidaturas da romena Rovana Plumb e do húngaro Laszlo Trocsanyi à futura Comissão Europeia liderada por Ursula von de Leyen, que inicia enfraquecida as audiências para as diferentes pastas.

Os eurodeputados da Comissão de Assuntos Jurídicos "confirmaram que ambos os comissários não podem exercer suas funções por causa de conflito de interesse", anunciou Manon Aubry, membro da comissão.

"Acabamos de decidir (...) que ambos os candidatos - Plumb e Trocsanyi - não são aptos para comissários", tuitou o eurodeputado social-democrata Tiemo Wölken, após uma nova reunião desta comissão.

O chefe da Eurocâmara, David Sassoli, enviou uma carta à Ursula von der Leyen informando da decisão e cobrando as "medidas necessárias" para completar o processo de formação da nova Comissão.

O governo húngaro do nacionalista conservador Viktor Orban propôs um novo candidato, seu atual embaixador na União Europeia (UE), Oliver Varhelyi, segundo uma autoridade europeia.

Os membros da comissão já haviam rejeitado as duas indicações na quinta-feira, mas, após uma discussão Ursula von der Leyen, David Sassoli pediu esclarecimentos sobre a decisão de bloqueio.

As dúvidas sobre Plumb, que aspira à pasta dos Transportes, concentram-se em dois empréstimos e, no caso de Trocsanyi, candidato à comissão de Ampliação, em seus vínculos com o escritório de advocacia que ele fundou em 1991, antes de se tornar ministro de Viktor Orban.

Trocsanyi, que denunciou uma "coleção de mentiras" e uma "flagrante injustiça", anunciou em um comunicado que "não tem escolha a não ser considerar irecorrer à autoridade judicial competente".

Por sua vez, Plumb acusou o presidente romeno Klaus Iohannis e o porta-voz dos liberais na Câmara Europeia, seu compatriota Dacian Ciolos, de influenciar, em sua opinião, a decisão dos eurodeputados.

A decisão dos eurodeputados é o primeiro obstáculo para a futura presidente da Comissão, especialmente quando os dois comissários pertencem a grupos que apoiam sua maioria: os social-democratas e o Partido Popular Europeu (PPE, direita).

Além disso, seu bloqueio pode fazer com que os dois grupos decidam dar uma resposta, fazendo cair um candidato do grupo liberal, o terceiro pilar da maioria de Von der Leyen, durante as audiências programadas de 30 de setembro a 8 de outubro.

Entre eles estão o belga Didier Reynders, candidato à pasta da Justiça, que enfrenta uma investigação judicial por corrupção em seu país, e a francesa Sylvie Goulard, candidata ao posto de Mercado Interno, com uma situação ainda mais complicada.

Goulard é alvo de duas investigações - uma na França e outra no Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) - no contexto da suposta contratação fictícia de assistentes parlamentares de seu partido. A francesa já devolveu 45.000 euros à Eurocâmara.

A aprovação da Comissão de Assuntos Jurídicos é necessária para que os candidatos a comissários passem à fase das audiências perante suas respectivas comissões parlamentares, antes de uma votação na Comissão como um todo, prevista para 23 de outubro.

"Havia um desejo real de bloquear o procedimento", explucou à AFP a eurodeputada ecologista Marie Toussaint, destacando que "os eurodeputados estavam à altura do que se esperava deles".


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