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Estado de Minas

Afegãos elegem presidente em clima de tensão e violência


postado em 28/09/2019 13:07

Os afegãos votaram neste sábado (28) para eleger seu presidente em eleições ameaçadas por fraudes, abstenções e atentados, que causaram cinco mortos e 37 feridos durante todo o dia.

A votação acontece enquanto as discussões entre o Talibã e os Estados Unidos estão estagnadas, distanciando a perspectiva de um diálogo entre o governo e os insurgentes para alcançar a paz.

O Talibã lançou advertências aos cerca de 9,6 milhões de eleitores, numa tentativa de dissuadi-los de ir às urnas. Na quinta-feira, afirmou que seus combatentes vão atacar os "escritórios e centros [de votação]".

A votação foi encerrada às 17h00 (9h30 de Brasília), após uma prorrogação de duas horas decidida para que os eleitores nas filas pudessem votar.

O balanço da violência ao longo do dia foi de cinco mortos e 37 feridos.

"Contabilizamos cinco mártires (mortos) nas forças de segurança e 37 feridos entre os civis", informou o ministro do Interior, Masud Andarabi.

"Houve menos ataques do inimigo em comparação com as eleições anteriores", acrescentou o ministro da Defesa, Asadullah Khlaid, evocando os 60 mortos durante as legislativas de 2018.

O número de vítimas ainda pode aumentar.

"Sei que existem ameaças, mas as bombas e ataques fazem parte do nosso dia-a-dia", disse à AFP Mohuiudin, eleitor de 55 anos em Cabul. "Não tenho medo, se queremos mudar nossas vidas, temos que votar".

A campanha eleitoral começou no final de julho marcada por um atentado que deixou 20 mortos. Desde então, mais de 100 pessoas morreram, vítimas de ataques reivindicados pelo Talibã.

- Quarta eleição presidencial -

Esta é a quarta eleição presidencial da história do país, desde a realizada em 2004.

Dezoito candidatos aspiram a tornar-se chefe de Estado com um mandato de cinco anos, mas o atual presidente, Ashraf Ghani, e seu primeiro-ministro Abdullah Abdullah se destacam como favoritos.

Após votar, o presidente declarou que "essa eleição abrirá o caminho para avançarmos em direção à paz com verdadeira legitimidade".

Ghani está confiante de que uma reeleição o tornará um interlocutor indispensável para negociar com o Talibã, que até o momento se recusou a dialogar por considerá-lo um "fantoche" de Washington.

Ghani e Abdullah Abdullah já se enfrentaram em 2014, numa votação marcada por irregularidades tão graves que os Estados Unidos impuseram a criação do cargo de Abdullah, que terminou em segundo.

As autoridades afegãs asseguraram que tomaram as medidas necessárias para evitar fraudes, empregando toda uma bateria de meios técnicos, incluindo leitores biométricos.

Os resultados preliminares da votação serão conhecidos em 19 de outubro e os resultados finais em 7 de novembro.

Sayed Noor Ahmad, de 31 anos, funcionário de uma escola na capital, está "preocupado com a segurança", mas pensa que "não há outra opção senão votar e eleger um líder".

Vários eleitores com quem a AFP falou denunciaram incidentes técnicos, devido a leitores biométricos defeituosos e censos eleitorais incompletos.

"Inscrevi-me para votar e cheguei cedo ao colégio eleitoral, mas infelizmente meu nome não estava na lista", disse à AFP Ziyarat Khan, agricultor da província de Nangahar (leste).

O principal enigma dessa eleição será a extensão da abstenção. Espera-se que muitos eleitores permaneçam em suas casas, tendo perdido a esperança de que suas elites melhorem suas condições de vida, além do medo de ataques ou fraudes.

O futuro chefe de Estado assumirá as rédeas de um país em guerra, em que 55% da população vivia em 2017 com menos de dois dólares por dia e no qual o conflito com os insurgentes matou mais de 1.300 civis no primeiro semestre de 2019, segundo a ONU.


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