Publicidade

Estado de Minas

Netanyahu é escolhido para formar governo em Israel, mas sem apoio do centro


postado em 25/09/2019 18:43

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recebeu nesta quarta-feira (25) a incumbência de formar um novo governo, mas seu hipotético parceiro, o centrista Benny Gantz, sobre o qual tem apenas um assento de vantagem, anunciou que rejeita a oferta.

O presidente israelense, Reuven Rivlin, escolheu Netanyahu para tentar tirar o país do impasse em que se encontra depois das eleições legislativas que não deixaram um vencedor claro.

Netanyahu sofreu imediatamente um novo revés: Gantz recusou-se a participar de um governo chefiado por um primeiro-ministro que responde a uma acusação de corrupção.

"O partido Azul e Branco que eu dirijo não aceitará participar de um governo com um líder que enfrenta uma grave acusação", explicou Gantz em um comunicado.

Netanyahu fez o chamado diante de jornalistas, após aceitar o encargo do presidente, mas as duas partes parecem bastante distanciadas, inclusive sobre o tema de quem deveria encabeçar o governo de unidade.

Nas legislativas os dois empataram. Netanyahu com 32 assentos e somando seus aliados de direita e partidos ultraortodoxos, alcança os 55, enquanto Gantz, que obteve 33 assentos, obteria o apoio de 54 legisladores no total com todo o arco parlamentar da esquerda, inclusive os partidos árabes israelenses.

- "Quem tem mais chances" -

As partes discutiam desde a noite de segunda-feira, mas sem chegar a um acordo. Mas após um encontro com Netanyahu e Gantz na quarta-feira à noite, em Jerusalém, o presidente Rivlin se antecipou e confiou a Netanyahu a tarefa de formar um governo.

Sua missão será tentar obter pelo menos 61 deputados para alcançar a maioria na Knesset, o Parlamento israelense.

"Quem tem mais chances é Netanyahu, apoiado por 55 deputados, enquanto Gantz tem apenas 54, mas dez deles anunciaram que não participariam do governo", disse Rivlin em coletiva de imprensa ao lado de Netanyahu.

Dez deputados da Lista Árabe unida, que se tornou a terceira força política em Israel após as legislativas, apoiaram a candidatura de Ganz ao cargo de primeiro-ministro, mas sem se comprometer a participar do futuro governo.

"Farei tudo o que estiver em meu poder para formar um governo de unidade com uma direção conjunta", disse Netanyahu, referindo-se a uma "liderança conjunta, um governo paritário", com "duas pessoas no comando".

- "Corrupção" -

Essas eleições eram cruciais para Netanyahu, que se apresentará à Justiça em 3 de outubro para depor sobre vários escândalos que o atingem e pelos quais poderia ser formalmente acusado de corrupção, desvio de recursos e suborno. O premiê quer obter a imunidade parlamentar que o blinda enquanto permanecer no cargo.

Se conseguir formar o governo, Netanyahu não seria obrigado a renunciar em caso de condenação e até que todos os recursos se esgotem.

Por enquanto, o mandato herdado por Netanyahu não lhe garante permanecer no poder, mas apenas tornar-se o encarregado de reunir os votos para tirar o país do impasse.

Gantz não fechou a porta a uma aproximação ao Likud de Netanyahu, mas só a um governo chefiado por ele, que está no poder há dez anos ininterruptos.

Após as eleições de abril, que não conseguiram o desempate entre Gantz e Netanyahu, o presidente Rivlin já tinha pedido ao premiê formar o governo.

Mas como não pôde, Netanyahu preferiu dissolver a Knesset e convocar novas eleições, as de 17 de setembro, antes de deixar o presidente confiar o mandato a Benny Gantz.

Desta vez, Benjamin Netanyahu assegurou que permitiria a Gantz tentar a sorte para conseguir um governo se ele voltar a fracassar na sua tentativa.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade