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Estado de Minas

Mudança climática e suas consequências para oceanos e geleiras


postado em 25/09/2019 10:01

Algumas das consequências das mudanças climáticas nos oceanos e regiões glaciais do planeta são irreversíveis, e a humanidade precisa se preparar para isso - alertam os cientistas em um relatório publicado nesta quarta-feira (25).

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) faz em seu relatório uma longa lista de consequências devastadoras.

Estas são algumas delas.

- Aquecimento do mar -

ESPONJAS: os oceanos absorveram cerca de um quarto das emissões de gases causadores do efeito estufa produzidos pelo homem desde os anos 1980. Como resultado, são mais quentes, mais ácidos e menos salgados.

AQUECIMENTO MARINHO: a frequência, intensidade e extensão das ondas de calor marinhas, como as que devastaram a Grande Barreira de Corais, estão aumentando.

EL NIÑO: é esperada a duplicação da frequência de eventos extremos do El Niño - que provocam incêndios florestais, epidemias e afetam ciclones -, se as emissões não forem reduzidas.

ALIMENTAÇÃO: se as emissões não forem reduzidas, o potencial máximo de pesca poderá ser revisto em baixa entre 20% e 24% no século XXI em relação ao período 1896-2005. Desde a década de 1950, as espécies marinhas, do plâncton aos peixes, passando pelos mamíferos, deslocaram-se centenas de quilômetros.

- A elevação do mar -

NÍVEL DO MAR: Se a temperatura subir +2°C, o nível dos oceanos aumentará 43 centímetros até aproximadamente 2100, em comparação com o período 1980-2000. Mas, se aumentar +3°C ou +4°C - como indica a tendência atual -, o aumento será de 84 cm.

No século XXII, a taxa de aumento do nível dos mares do planeta poderá ser 100 vezes mais rápida e passar dos atuais 3,6 milímetros por ano para "vários centímetros".

Em 2300, pode chegar a vários metros por ano, se as emissões não forem reduzidas.

ADAPTAÇÃO: construir proteções contra o aumento das águas poderá reduzir o risco de inundações entre 100 e 1.000 vezes, sob a condição de investir "entre dezenas e centenas de bilhões de dólares por ano".

As regiões mais pobres provavelmente não terão os meios para essas grandes obras, particularmente os pequenos estados insulares que podem se tornar inabitáveis e forçar o êxodo de sua população.

ZONAS MOLHADAS: entre 20% e 90% das zonas úmidas devem desaparecer até 2100, devido ao aumento do nível do mar.

- O mar morre -

OXIGÊNIO: a concentração de oxigênio nos hábitats marinhos foi reduzida em 2% em 60 anos e deve perder 3% ou 4% a mais, se as emissões de CO2 não forem reduzidas.

ZONAS MORTAS: o aquecimento da água e a poluição nas costas já estão causando a expansão de "zonas mortas", onde taxas fracas de oxigênio impedem a vida marinha.

CORAL: os recifes de coral, dos quais 500 milhões de pessoas dependem de alimentos, sofrerão perdas significativas ou, em alguns casos, serão extintos, mesmo com um aquecimento limitado a +1,5°C em relação à era pré-industrial.

- O gelo derrete -

CALOTA POLAR: as duas calotas polares do planeta, na Antártica e na Groenlândia, perderam uma média de 430 bilhões de toneladas por ano desde 2006, o que as torna a principal fonte de aumento do nível dos oceanos.

GELEIRAS: as geleiras, das quais mais de 2 bilhões de pessoas dependem para acessar a água doce, também estão derretendo. É o caso daquelas de baixa altitude nos Alpes, no Cáucaso, ou na Escandinávia, e que podem perder 80% do seu volume até 2100. Muitos outros podem desaparecer, mesmo se o aquecimento global for limitado.

NEVE: as montanhas devem perder uma parte importante de sua cobertura de neve, com impactos importantes na agricultura, no turismo e no suprimento de energia.

- O permafrost -

PERMAFROST: antes de 2100, poderá haver um derretimento significativo do permafrost - a camada de solo permanentemente congelado -, o que causará a emissão de bilhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa.


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