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Estado de Minas

Alemanha alcança seu grande plano climático


postado em 20/09/2019 10:37

Sob pressão de manifestações por toda a Alemanha, os partidos da frágil coalizão governamental de Angela Merkel finalmente concordaram, nesta sexta-feira, com os pontos-chave de uma estratégia climática após intensas negociações.

"Há um acordo com muitas medidas e um mecanismo de verificação anual" para garantir que as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa sejam alcançadas, informaram à AFP fontes próximas ao governo.

Estão previstos no acordo investimentos de pelo menos 100 bilhões de euros até 2030 em toda a Alemanha.

Este montante será investido "para a proteção do clima e na transição energética", segundo o texto final do acordo. O governo pretende gastar 54 bilhões de euros nos quatro primeiros anos do plano, até 2023, segundo informou à imprensa o ministro das Finanças Olaf Scholz.

O desafio consiste em tomar medidas para incentivar os alemães a reduzir as emissões de poluentes e permitir que o país cumpra suas metas de redução de emissões poluentes.

O anúncio ocorre quando milhares de manifestantes, 80.000 segundo os organizadores, se reuniram em Berlim no icônico Portão de Brandenburgo, para uma ação global em defesa do clima.

Manifestações estão programadas em 575 cidades alemãs, "algo inédito", segundo a porta-voz alemã do movimento FridaysforFuture, Luisa Neubauer.

A questão do financiamento é extremamente complicada pelo fato de o governo se recusar a contrair novas dívidas, de acordo com sua política de ortodoxia orçamentária "Schwarze Null".

As negociações tropeçaram, em particular, em um modelo de tarifação das emissões de CO2, onde a gasolina, o diesel, gás de aquecimento ou óleo combustível poderiam ver seu preço subir.

Questão central: definir um preço alto o suficiente para fazer com que os consumidores optem por soluções menos poluentes, mas que ao mesmo tempo não provoque protestos, como o dos coletes amarelos na França.

Em termos concretos, a estratégia do governo também inclui uma série de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nos setores de energia, construção, agricultura, indústria e transporte.

Isso varia de um favorecimento aos transportes públicos e trens, ao aumento do preço das viagens aéreas na Alemanha, a vários subsídios para o desenvolvimento de carros elétricos ou para o aquecimento individual limpo e eficiente.

Paralelamente, pretende-se acelerar o desenvolvimento de energias limpas (solar, eólica ou biomassa), subindo a 65% em 2030 contra 40% atualmente.

A pressão sobre o governo de Merkel é grande: deve responder às expectativas dos manifestantes, ao mesmo tempo que um acordo parece indispensável para a própria sobrevivência da coalizão.

O ministro social-democrata das Finanças, Olaf Scholz, relacionou diretamente a continuidade da coalizão à elaboração de "um grande projeto climático".

No início do ano, a Alemanha decidiu abandonar o carvão até 2038, mas ainda não programou o fechamentos das minas e centrais. Outro ponto delicado que deve ser resolvido até 2022 é o abandono da energia nuclear, decidido em 2011 após o desastre de Fukushima.

E, enquanto a poderosa indústria automobilística privilegiou por muito tempo veículos movidos a gasolina ou diesel, agora deve se dirigir para o elétrico.


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