Jornal Estado de Minas

Do feminismo à moda ética na London Fashion Week

De olho em uma moda que busca empoderar as mulheres através de um guarda-roupa que respeite as pessoas e o meio ambiente, a London Fashion Week estabeleceu tendências durante cinco dias de desfiles de moda que terminaram nesta terça-feira (17).

- Entre feminilidade e feminismo -

Buscando um equilíbrio "entre a feminilidade do passado e o feminismo de hoje", o estilista sul-coreano Yoon Choon Ho apresentou nesta terça-feira uma coleção primavera-verão 2020 inspirada na franco-atiradora americana do fim do século XIX Annie Oakley.



Como ela, as mulheres de YCH usam gorros de couro com viseira ou chapéus de cowgirl com coletes de franjas e tops com efeito espartilho ou bustiê. Mas longe de ser justas e limitantes, as saias são plissadas para permitir o movimento e as jaquetas oversize são usadas sobre camisas de mangas muito compridas.

Nas calças de cintura alta e nas gabardinas sobrepostas, cores escuras como o chocolate contrastam com verdes fluorescentes ou azuis pálidos. E tudo se combina com bolsas de três peças que imitam capas de fuzil.

A irlandesa Sharon Wauchob optou por criações que podem ser usadas por homens e mulheres. "Sempre gostei da imagem andrógina", afirmou após seu desfile do fim de semana, onde apresentou ternos amplos e vestidos sedosos com plumas.

Também a dupla de estilistas Fyodor Podgorny e Golan Frydman realizou uma audaz mistura de gêneros, inspirando-se nos filmes "Farinelli" de Gérard Corbiau e "Amadeus" de Milos Forman, assim como no personagem da rainha francesa Maria Antonieta.

Jogando com os contrastes, misturaram renda e camisas heavy metal e combinaram jeans com tecidos delicados como o cetim e o tule.



"Exploramos a ideia da pansexualidade, a atração por uma pessoa independentemente de qual for sua identidade de gênero", explicaram.

- Moda ética sustentável -

Impulsados pela iniciativa "Positive Fashion" lançada pela semana da moda londrina, e em sintonia com o movimento ecologista Extinction Rebellion que organizou vários protestos coincidindo com os desfiles, cada vez mais estilistas integram em suas peças a preocupação com o meio ambiente e a ética na produção.

As estilistas guatemaltecas Gabriela Luna e Corina del Pinal, instaladas em Londres com sua marca Luna Del Pinal, buscam fazer uma "moda lenta e responsável", criativa e sustentável. Fascinadas pelas antigas técnicas de tecer, recorrem a artesãos indígenas para fazer suas criações amplas e confortáveis com um certo estilo oriental.

Outros jovens estilistas buscam dar uma segunda vida a peças de roupa ou acessórios. A romena Ancuta Sarca cria calçados híbridos, mistura de esportivos e sapatos de salto garimpados em lojas de roupa usada. E Mariah Esa, recém-formada, utiliza etiquetas de peças descartadas para confeccionar suas criações: até 2.000 etiquetas para fabricar um casaco.



- Volume e geometria -

Entre os estilos imprescindíveis da temporada primavera-verão 2020 apresentada em Londres estão as criações volumosas mas etéreas da britânica Molly Goddard e os vestidos geométricos e móveis da sérvia Roksanda, que deixa em suas criações uma amostra de sua formação como arquiteta.

Em seus desenhos, a criadora sérvia se destaca por sua escolha das cores. Combinações de rosa e tangerina que no desfile de segunda-feira contrastaram com o céu cinza de Londres.

Estrela ascendente da moda britânica, Goddard apresentou no fim de semana criações que lembram seu famoso vestido de tule rosa, que foi usado por Villanelle, uma excêntrica assassina na série de televisão "Killing Eve".

Seus volumosos vestidos e saias, em amarelo e vermelho, são usados com botas de couro.

Após o desfile, a inglesa reconheceu não ter tido um tema específico em mente mas disse se interessar por "estilos individuais". "Olhei as coisas que fiz nos últimos cinco anos, as que mais gosto, e as fiz de novo, mas maiores e melhor".