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Estado de Minas MIGRANTES

Governo da Itália libera desembarque

Sinal verde para que navio Ocean Viking, com 82 pessoas, pudesse atracar na costa ocorreu após posse de Giuseppe Conte


postado em 15/09/2019 04:00 / atualizado em 14/09/2019 18:19

Na primeira expedição, no fim de agosto, o Ocean Viking resgatou 356 migrantes, que puderam desembarcar em Malta, região da Itália(foto: Anne CHAON/AFP)
Na primeira expedição, no fim de agosto, o Ocean Viking resgatou 356 migrantes, que puderam desembarcar em Malta, região da Itália (foto: Anne CHAON/AFP)

 
Roma – O novo governo da Itália autorizou o navio Ocean Viking a desembarcar 82 migrantes na Ilha de Lampedusa, após vários dias no mar e depois de um acordo entre países europeus para receber o grupo.
 
“O Ocean Viking acaba de receber instruções do centro marítimo de coordenação de resgate, em Roma, para se dirigir para Lampedusa”, tuitou a ONG SOS Méditerranée. Segundo o ministério francês do Interior, esses migrantes serão distribuídos entre os cinco países europeus – Itália, França, Alemanha, Portugal e Luxemburgo – que chegaram a um acordo. “Agora, temos que chegar a um acordo sobre um verdadeiro mecanismo temporal europeu”, escreveu no Twitter o ministro francês do Interior, Christophe Castaner.
 
O sinal verde da Itália ocorreu após a posse do novo governo de Giuseppe Conte, do qual não faz parte Matteo Salvini, o ex-ministro do Interior que havia se oposto categoricamente a que embarcações com migrantes a bordo pudessem atracar na costa italiana. “Começamos já. Os portos se abrem sem limites”, tuitou Salvini, depois do anúncio da autorização de desembarque.
“O novo governo está reabrindo portos, a Itália volta a ser o acampamento de refugiados da Europa. Ministros abusivos que detestam os italianos”, continuou Salvini, que tentou forçar eleições antecipadas em agosto no país.
 
Ele acabou deixando o Executivo após a formação de um governo de coalizão que excluiu seu partido de extrema-direita, a Liga.
 
Quando foi ministro do Interior, Salvini travou uma guerra aberta contra as ONGs que resgatavam migrantes no Mar Mediterrâneo, proibindo seu acesso aos portos italianos, ou lhes impondo pesadas multas.
 
Salvini foi substituído no cargo de ministro do Interior por uma alta funcionária especialista em imigração, Luciana Laborgese.

PORTO SEGUROO ministro italiano das Relações Exteriores, o líder do Movimento 5 Estrelas, Luigi Di Maio, afirmou à televisão italiana que “designou um porto seguro para o barco, porque a União Europeia aceitou nossa demanda de acolher a maioria dos migrantes”.
 
Di Maio fez parte da coalizão com o partido de Salvini e, agora, compôs uma coalizão governamental com o Partido Democrata (centro-esquerda).
 
     O Ocean Viking fazia sua segunda missão no Mediterrâneo e navegava há quase duas semanas entre Itália e Malta, à espera de um porto seguro para desembarcar os migrantes. Entre as 82 pessoas a bordo, a ONG Médicos sem Fronteiras, que também freta a embarcação, contou 58 homens, seis mulheres, 17 menores e uma criança de um ano.
 
“Disseram aos nossos médicos que haviam sofrido queimaduras e haviam sido agredidos com pedaços de pau e de metal” quando estavam na Líbia, relatou a MSF no Twitter. “Muitos deles estão com traumas psicológicos”, acrescentou a ONG.
 
Na primeira expedição, no final de agosto, o Ocean Viking resgatou 356 migrantes, que puderam desembarcar em Malta. A França se comprometeu a receber 150.


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