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Estado de Minas

Especialistas se reúnem para reforçar a proteção de espécies ameaçadas


postado em 16/08/2019 06:31

Autoridades políticas e especialistas em conservação da fauna e da flora se reúnem a partir de sábado na Suíça para reforçar as regras do comércio de marfim, chifres de rinoceronte e outras espécies ameaçadas de extinção.

Durante 12 dias, milhares de delegados de mais de 180 países discutirão em Genebra 56 propostas para modificar o grau de proteção estabelecido aos animais e plantas selvagens pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES, na sigla em inglês).

Criada há mais de 40 anos, a CITES é um acordo internacional entre Estados que oferece proteção em diversos níveis a mais 35.000 espécies selvagens, sejam elas apresentadas no comércio como plantas ou animais vivos, casacos de pele ou ervas secas. Dispõe de um mecanismo que permite impor sanções aos países que não respeitam as regras.

A secretária-geral da CITES, Ivonne Higuero, declarou que a conferência vai "concentrar-se no reforço das regras e normas em vigor, ampliando as vantagens do regime CITES a novas plantas e novos animais ameaçados pelas atividades humanas".

A reunião acontece após a publicação de um relatório da ONU em maio que informou o perigo de extinção de um milhão de espécies.

- Caça ilegal -

Os danos causados a muitas espécies pela caça furtiva e pelo comércio ilegal estarão no centro das discussões durante a reunião, assim como os desafios impostos pelo crime vinculados ao tráfico de espécies selvagens na internet.

A conferência, organizada a cada três anos, examinará várias propostas sobre os elefantes da África.

Após décadas de caça ilegal, que provocou a queda da população de elefantes de vários milhões em meados do século XX a apenas 400.000 em 2015, o comércio de marfim foi proibido quase por completo em 1989.

Mas vários países da África austral, onde as populações de elefantes se encontram em boa saúde e são bem administradas, reclamam o direito de vender suas reservas de marfim registradas como propriedade destes governos.

Os países afirmam que desta maneira conseguiriam atender a demanda, procedente sobretudo da Ásia, que estimula a caça ilegal, e permitir a arrecadação de fundos para os programas de conservação.

Os defensores dos animais respondem que as experiências anteriores de venda de reservas de marfim na realidade estimularam a demanda e incentivaram a caça ilegal, pela dificuldade de distinguir entre o que é obtido de modo legal ou não.

- Marfim de mamute -

Vários países do continente africano pedem, por outro lado, que todas as populações de elefante do continente, incluindo as da África austral, sejam transferidas para o Anexo I, o mais protegido, que proíbe de maneira categórica qualquer venda de marfim.

Outra das 56 propostas que serão discutidas na reunião da CITES diz respeito à luta contra as redes de traficantes que tentam vender o marfim de elefante como marfim de mamute, uma espécie extinta há milhares de anos.

Para conter o tráfico, Israel propõe inscrever o "mamute lanoso" no Anexo II, para que seu comércio seja controlado.

Mas especialistas não acreditam que qualquer proposta receberia o apoio da maioria de dois terços necessária para aprovação.

- Rinocerontes, girafas, tubarões -

Os rinocerontes brancos, que viram sua população dizimada pela caça ilegal intensa, também estão na agenda, com um pedido da Suazilândia para vender uma reserva de 330 quilos de chifre.

Matthew Collis, diretor do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), afirma que uma autorização deste tipo seria "desastrosa" e recorda que atualmente o comércio de chifre de rinoceronte está proibido.

Pela primeira vez, os delegados devem debater o caso das girafas, que registraram queda 40% em sua população nas últimas três décadas.

Vários países da África desejam a inclusão do animal no Anexo II como medida de precaução, com o objetivo de rastrear e regulamentar a venda de partes da espécie.

Mas o secretariado da CITES acredita que a redução do número de girafas é provocada mais pela perda de habitat do pelo comércio.

Além disso, dezenas de países apoiam propostas que pedem a inclusão no Anexo II de 18 espécies de três famílias de tubarões e arraias, para regulamentar a pesca intensiva.


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