O governo da Síria anunciou que rejeita "categoricamente" o acordo entre Estados Unidos e Turquia para criar uma "zona de segurança" no norte do país, região controlada pelos curdos, que receberam o anúncio com cautela.
Na quarta-feira (7), Turquia e Estados Unidos decidiram estabelecer um "centro conjunto de operações" para coordenar a criação de uma "zona de segurança" no norte da Síria com o objetivo de evitar confrontos entre forças turcas e curdas, aliadas dos americanos.
Até o momento não foi revelado nenhum detalhe sobre o alcance desta zona de segurança, ou sobre que forças a controlariam, os dois pontos em que as divergências mais fortes foram registradas.
Para o regime de Damasco, que retomou o controle de mais de 60% do território sírio, o acordo turco-americano constitui uma "agressão flagrante contra a soberania e a unidade territorial síria, assim como uma violação dos princípios do Direito Internacional", sobretudo, quando pretende voltar a mobilizar o Exército na região e já iniciou negociações neste sentido.
"A Síria rejeita categoricamente o acordo dos dois ocupantes, americano e turco, sobre a criação do que chamam de zona de segurança", afirmou a agência oficial SANA, ao citar o Ministério sírio das Relações Exteriores.
"A Síria pede à comunidade internacional e às Nações Unidas que condenem esta agressão turco-americana, que constitui uma escalada perigosa", completou a fonte.
O acordo anunciado na quarta-feira foi alcançado após três dias de intensas negociações.
Washington quer impedir uma nova operação de Ancara contra as Unidades de Proteção Popular (YPG), a milícia curda que controla uma vasta região do norte da Síria e que teve importância vital para Washington na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).
Nesta quinta, a Síria acusou os curdos sírios de serem usados como "ferramenta" em um "projeto hostil" de americanos e turcos e pediu que retornem ao "controle nacional".
Ao mesmo tempo, líderes curdos sírios celebraram com cautela o acordo entre Estados Unidos e Turquia e destacaram que ainda faltam muitos detalhes.
"O acordo pode marcar o início de uma nova abordagem, mas ainda precisamos de mais detalhes", disse à AFP o dirigente curdo Aldar Khalil.
"Avaliaremos o acordo em função dos detalhes e dos fatos, não das manchetes", completou.
Os curdos, minoria étnica marginalizada durante anos na Síria, criaram uma região semiautônoma no norte do país no início do conflito armado em 2011.
Ancara não aprecia o projeto de autonomia perto de sua fronteira, porém, por temer que a incipiente independência curda na Síria estimule o ímpeto separatista em seu próprio território. A Turquia denuncia os vínculos entre as YPG e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que organiza uma guerrilha em território turco desde 1984.
Desde 2016, o Exército turco executou duas ofensivas no norte da Síria e, no ano passado, assumiu o controle de Afrin, uma das três áreas da região "federal" autoproclamada pelos curdos. Nos últimos dias, Ancara ameaçou iniciar uma nova intervenção.
Para o governo turco, a "zona de segurança" no norte da Síria também deve servir como corredor humanitário, para permitir o retorno de parte dos mais de 3,6 milhões de refugiados sírios que estão em seu território.
Iniciada em 2011, a guerra na Síria deixou mais de 370.000 mortos e forçou a fuga de milhões de pessoas.
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