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Estado de Minas

UE discute opções para salvar acordo nuclear com o Irã


postado em 15/07/2019 12:07

Os europeus estão determinados a salvar o acordo nuclear com o Irã, mas a impossibilidade de contornar as sanções dos Estados Unidos lhes dá pouca chance, advertiram os ministros das Relações Exteriores europeus, reunidos nesta segunda-feira em Bruxelas.

"O acordo ainda não está morto" e queremos dar ao Irã "uma oportunidade de reverter suas medidas em violação de seus compromissos", disse o chefe da diplomacia britânica, Jeremy Hunt, ao chegar para a reunião com os seus colegas da UE.

"O Irã tomou decisões erradas em resposta à decisão errada dos Estados Unidos de se retirar do acordo e impor sanções cujo alcance extraterritorial afeta diretamente os benefícios econômicos que o país poderia obter do acordo", lamentou o francês Jean-Yves le Drian.

"Queremos que o Irã retorne ao acordo" e respeite seus compromissos, insistiu.

Os europeus esperam convencer os iranianos de que estão dispostos a ajudá-lo com o uso do Instex, um mecanismo criado para contornar as sanções americanas evitando o uso do dólar. Mas a situação é complexa.

A extraterritorialidade das sanções americana resultou na retirada do Irã de empresas europeias e o comércio afundou, explicou um diplomata europeu.

O Irã não pode mais exportar seu petróleo e, portanto, está sendo privado da maior parte de sua renda. As exportações de petróleo caíram de 1,5 milhão de barris por dia para 700 mil barris por dia, o que é insuficiente para manter uma economia viável, segundo uma fonte europeia.

"Nós não reconhecemos a extraterritorialidade" das leis americanas impostas por Washington, reclamou o espanhol Josep Borrell, indicado para substituir a italiana Federica Mogherini à frente da diplomacia europeia se sua nomeação for aprovada pelo Parlamento Europeu.

"Estamos fazendo todo o possível para que o acordo nuclear com o Irã seja mantido, mas sabemos que é muito difícil por causa da atitude dos Estados Unidos", insistiu.

"Se o Irã conseguir a arma nuclear, outros países da região a adquirirão e a situação se tornará muito perigosa", advertiu Jeremy Hunt.

"O Irã ainda não está em condições de desenvolver uma arma nuclear e queremos que o Oriente Médio permaneça livre de armas nucleares", disse ele.

"Consideramos os Estados Unidos como nosso aliado, mas os amigos podem, às vezes, discordar", lamentou.

Jeremy Hunt busca suceder Theresa May como líder do Partido Conservador britânico e no cargo de primeiro-ministro. Ele enfrenta Boris Johnson, muito próximo do presidente americano Donald Trump.

- Antes de 2015 -

Em Teerã, o porta-voz da organização iraniana de energia atômica afirmou nesta segunda que Irã pode voltar à situação que prevalecia antes da conclusão em julho de 2015 do acordo internacional sobre seu programa nuclear.

"Se os europeus e os americanos não quiserem agir de acordo com seus compromissos, nós também, reduzindo nossos compromissos, vamos reequilibrar e voltar à situação de quatro anos atrás", declarou Behruz Kamalvandi, segundo a agência de notícias oficial Irna.

Em resposta à decisão americana de abandonar unilateralmente, em meados do ano passado, o acordo, o Irã começou a descumprir progressivamente alguns dos seus compromissos para forçar seus parceiros a agir para tentar salvar o pacto.

"Essas medidas não são tomadas de forma obstinada. São uma oportunidade para a outra parte refletir e cumprir suas obrigações", disse Kamalvandi, simultaneamente à reunião dos chanceleres UE em Bruxelas.

Concluído entre Teerã e o Grupo dos Seis (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha) após vários anos de esforços, o acordo prevê uma limitação do programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções internacionais que sufocam sua economia.

Mas o restabelecimento das sanções extraterritoriais punitivas dos EUA contra Teerã após a retirada de Washington ameaça o acordo, privando o Irã da renda econômica esperada.

Teerã vem pedindo há meses aos Estados que ainda fazem parte do acordo que ajude a evitar as sanções, especialmente em relação à venda de petróleo, e retirar seu sistema financeiro do isolamento imposto pelas sanções de Washington.

Desde a saída dos Estados Unidos do acordo, o Irã também ameaçou em várias ocasiões abandoná-lo, se seus "interesses" não forem garantidos.

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