Publicidade

Estado de Minas

Chefe do Executivo de Hong Kong recebe críticas do próprio campo


postado em 14/06/2019 06:43

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, recebeu nesta sexta-feira (14) críticas de seu próprio campo quanto ao seu polêmico projeto de lei visando permitir as extradições para a China, uma questão que provocou enormes manifestações no território semi-autônomo.

A ex-colônia britânica sofreu, na última quarta-feira, os piores episódios de violência política desde que retornou à China em 1997, quando dezenas de milhares de manifestantes foram dispersados pela polícia de choque.

A oposição ao projeto é ampla: advogados, organizações jurídicas influentes, líderes empresariais, câmaras de comércio, jornalistas, ativistas e diplomatas ocidentais.

Um milhão de pessoas também se manifestaram no último domingo, mas Lam se mostrou inflexível, recusando-se a abandonar seu projeto.

Nesta sexta-feira, as críticas vieram da parte de seus próprios colegas, incluindo do deputado pró-Pequim Michael Tien, que pediu abertamente ao executivo que desistisse do plano.

"Ela ganharia pontos em vez de perder", disse ele a repórteres. "Nunca é tarde demais. Há novas situações que são uma oportunidade para os líderes mudarem de posição, não há mal nenhum nisso", ressaltou.

O próprio assessor de Lam considerou que apressar a aprovação do projeto de lei através do Conselho Legislativo ("LegCo"), o "Parlamento" local, era agora "impossível".

"Pessoalmente, acredito que é impossível discutir (o projeto de lei) enquanto há tanto conflito por todos os lados", declarou Bernard Chan, que faz parte do Conselho Executivo, o equivalente ao governo de Hong Kong, e que foi nomeado alto conselheiro por Lam há dois anos.

"Pelo menos, para nós, é um meio de não provocarmos uma escalada no antagonismo", acrescentou, sem ir tão longe quanto defender a retirada do texto.

Estas foram as primeiras reservas expressas tão claramente pelos proponentes do projeto de lei, que prevê a autorização de extradições para a China continental.

Lam anunciou na segunda-feira que, apesar da mobilização histórica do dia anterior, o texto seria, como previsto, analisado na quarta-feira pelo LegCo.

Dominado por deputados favoráveis ao governo de Pequim, o Parlamento anunciou o adiamento do debate por tempo indeterminado e para "uma data posterior".

A determinação de Lam enfureceu parte dos manifestantes, e uma nova manifestação na quarta-feira degenerou em violência nos arredores do LegCo, que deixou 79 feridos.

Os principais organizadores dos protestos em Hong Kong convocaram uma nova manifestação no domingo, bem como uma greve geral na segunda-feira. Ainda não há informações se eles terão o direito de protestar.

Os manifestantes temem que a lei abra caminho para perseguir os opositores políticos.

O projeto de lei também levanta críticas dos países ocidentais.

Na quinta, legisladores americanos dos partidos republicano e democrata apresentaram um projeto de lei que busca reafirmar "o compromisso dos Estados Unidos a favor da democracia, dos direitos humanos e do Estado de direito" em Hong Kong e contra o que consideram um "ataque" à autonomia parcial da ex-colônia britânica por parte de Pequim.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade