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Estado de Minas

Instagram manterá vídeo manipulado de Mark Zuckerberg


postado em 12/06/2019 13:35

O Instagram decidiu nesta quarta-feira (12) manter um vídeo ultrarrealista em que um falso Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, orgulha-se de controlar milhões de dados pessoais "roubados" dos usuários da rede social.

"Imaginem o seguinte: Um homem com o controle total de dados roubados de milhões pessoas, seus segredos, suas vidas, seu futuro. Eu devo tudo isso ao Spectre. O Spectre me mostrou que aquele que controla a informação controla o futuro", diz o "falso" Zuckerberg neste curto vídeo postado no Instagram pelo artista britânico Bill Posters como promoção do seu projeto "Spectre" de denúncia dos excessos cometidos pelas gigantes de tecnologia.

De acordo com seu site, Bill Posters e Daniel Howe, outro artista, criaram juntos startups especializadas em Inteligência Artificial de vídeos "deepfake", fazendo, por exemplo, a modelo Kim Kardashian, ou o presidente americano, Donald Trump, dizerem coisas absurdas.

O nome "Spectre" se refere à poderosa e maligna organização secreta inimiga do personagem James Bond.

"A questão é se perguntar sobre o respeito à vida privada e sobre a segurança dos nossos dados", disse à AFP Bill Poster, que pediu que seu verdadeiro nome não fosse revelado para preservar seu anonimato.

"Queríamos criar uma intervenção artística na Internet para lançar luz sobre Mark Zuckerberg e explorar como os dados são usados de maneiras inesperadas por empresas opacas", acrescentou.

Bill Posters saudou o fato de o Instagram, que é de propriedade do Facebook, decidir "não nos censurar ao nos tratar de artistas".

"Vamos tratar este conteúdo da mesma forma que tratamos toda a desinformação no Instagram. Se os verificadores de informação externos o categorizarem como falso, não aparecerá nas recomendações", disse a empresa em um e-mail enviado à AFP.

O vídeo de Zuckerberg altera uma verdadeira declaração do jovem empresário bilionário à televisão americana e se refere, obviamente, às polêmicas relacionadas com a gestão por parte do Facebook dos dados pessoais de seus usuários. Refere-se também à proliferação de desinformação e de manipulação na rede social.

Os dois artistas não procuram enganar os internautas, já que os vídeos são acompanhados pela palavra-chave #deepfake. Seu objetivo é tentar desmascarar os vídeos manipulados, cada vez mais realistas e fáceis de executar, graças aos avanços na Inteligência Artificial que abrem a porta para manipulações eficazes e em larga escala.

Se tivesse optado por excluir o vídeo de seu chefe, o Facebook teria se exposto a uma onda de ataques.

No final de maio, a presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, criticou a rede social por ter-se recusado a remover um vídeo manipulado, no qual ela parece ter dificuldade em se expressar, como se estivesse bêbada.


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