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Estado de Minas

Cresce apoio a jornalista russo acusado de tráfico de drogas


postado em 10/06/2019 08:55

De jornais independentes a meios de comunicação estatais e até mesmo alguns políticos de destaque, o movimento de apoio cresce nesta segunda-feira em favor do jornalista russo Ivan Golunov, que está em prisão domiciliar depois de ser preso na semana passada por tráfico de drogas.

"Eu sou, nós somos Ivan Golounov". A manchete era a mesma para os jornais mais influentes do país, RBK, Vedomosti e Kommersant.

Jornalista do site de notícias Meduza, conhecido por suas investigações sobre a corrupção na prefeitura de Moscou e em setores obscuros como de microcrédito ou casas funerárias, Ivan Golunov foi preso na quinta-feira no centro de Moscou.

Quatro gramas de mefedrona foram encontrados em sua mochila, de acordo com policiais que afirmam ter descoberto grandes quantidades de drogas em seu apartamento.

Segundo a polícia, o jornalista tentou vender "uma quantidade significativa" de cocaína e mefedrona, uma droga sintética.

"Acreditamos que as provas contra Ivan Golounov, fornecidas pelos investigadores, não são convincentes e que as circunstâncias de sua prisão nos fazem pensar que ocorreu em violação da lei", ressaltaram o RBK, Vedomosti e Kommersant em sua declaração conjunta.

"Não excluímos que a prisão de Golounov esteja relacionada às suas atividades profissionais", apontaram.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov reagiu ao caso, afirmando que "acompanha atentamente" e reconhecendo que "este caso desperta muitas questões".

Ele se recusou, porém, a questionar o sistema judiciário, por considerar seria "injusto" fazer isto.

Desde a prisão de Ivan Golunov, muitos colegas, incluindo da imprensa oficial, mas também artistas e políticos, o apoiaram. Mais de 66.000 pessoas assinaram uma petição para exigir sua libertação no site Change.org.

Desde sexta-feira, vários manifestantes protestam em frente à sede da polícia de Moscou.

Para muitos jornalistas e ONGs, a prisão de Ivan Golunov, que enfrenta até 20 anos de prisão, constitui uma nova etapa da pressão sobre a mídia na Rússia.

No sábado à noite, centenas de pessoas se reuniram em frente ao tribunal onde um juiz deveria se pronunciar sobre a prisão solicitada pela promotoria. Gritos de alegria irromperam quando o juiz pronunciou sua prisão domiciliar.

"Ivan foi libertado da prisão e colocado sob prisão domiciliar e este sucesso é o resultado de uma campanha de ação sem precedentes contra a sua detenção ilegal", reagiu o editor-chefe do Meduza, Ivan Kolpakov, entrevistado pela AFP.

As TVs públicas do país cobriram amplamente o caso, não hesitando em apontar as inconsistências da polícia.

A editora-chefe da RT, Margarita Simonian, divulgou uma declaração de apoio a Ivan Golunov, pedindo às autoridades que respondam "todas as perguntas da sociedade" sobre o caso.

Mesmo a porta-voz da diplomacia russa, Maria Foreign Zakharova, pareceu tomar posição em favor do jornalista. Ela publicou em sua página no Facebook um link para um artigo em que a polícia reconhecia que algumas fotos, apresentadas como procedentes da "cena do crime" e mostrando uma verdadeira oficina de fabricação de drogas, não haviam sido tiradas no apartamento de Ivan Golunov.

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