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Estado de Minas

Após ser solto na Turquia, cientista americano busca limpar seu nome


postado em 08/06/2019 15:55

Libertado na semana passada após quase três anos preso na Turquia, o ex-cientista da Nasa Serkan Gölge insiste em que fará o possível para limpar seu nome.

"As pessoas me perguntam como um cientista da Nasa pôde ter ficado preso e em isolamento por três anos", diz Gölge, de 39, em entrevista à AFP concedida na casa de seus pais, na Antióquia, no sul da Turquia.

"Acham que deve ter alguma coisa. E eu vou dar uma resposta direta: não tem absolutamente nada", frisou.

O físico, que trabalhava desde 2013 para a Nasa em Houston e obteve nacionalidade americana em 2010, é acusado de ligação com o movimento de Fethullah Gülen. Este último é considerado por Ancara como o mentor da frustrada tentativa de golpe de Estado em julho de 2016.

O cientista foi detido em julho de 2016 durante uma visita aos pais com sua mulher e os dois filhos, dias depois da tentativa de golpe. A viagem coincidiu com uma onda de detenções promovida pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, contra supostos seguidores de Gülen.

Segundo Gölge, sua detenção aconteceu por causa de uma denúncia anônima.

Em 2018, Gölge foi condenado a sete anos e meio de prisão. A condenação foi depois reduzida para cinco anos e, finalmente, acabou sendo posto em liberdade condicional na semana passada.

"Farei valer meus direitos, através do Tribunal Constitucional da Turquia e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos" (TEDH), afirma, embora lamente a "demora" dos processos na corte europeia.

"Enquanto isso, farei tudo que for necessário para cumprir minhas obrigações", ou seja, apresentar-se à polícia quatro dias por semana e não se ausentar de Antióquia.

Ele espera que, se a Justiça suspender estas obrigações, possa "voltar para os Estados Unidos e retomar (seu) trabalho" em Houston, para estudar a incidência da radiação espacial nos astronautas.

Após 18 meses de detenção, "ao não ver luz no fim do túnel", pediu à Nasa que o demitisse.

Sua prisão, assim como a de outros cidadãos americanos na Turquia, elevou a tensão entre Ancara e Washington.

Sua soltura se deu pouco depois de uma conversa por telefone entre os presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, e americano, Donald Trump.

Eram 18h, ou 19h, de 29 de maio, quando soube que seria posto em liberdade. "Tudo aconteceu em 15 minutos", contou.

Serkan Gölge e sua família ficaram profundamente marcados por estes quase três anos de isolamento, durante os quais o cientista tinha autorização para deixar sua cela apenas uma hora por dia.

No início, a cada visita, seu filho mais velho perguntava quando ele iria sair.

"Eu chorava a cada vez (...) Dois anos depois, deixei de me fazer essa pergunta", continuou.

Seu segundo filho tinha três meses quando foi detido. "Agora, me chama de pai, mas não me conhece muito bem", desabafou.

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