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Estado de Minas

Primeiro-ministro etíope chega a Cartum como mediador de crise


postado em 07/06/2019 18:55

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, pediu nesta sexta-feira uma transição democrática "rápida" no Sudão depois de ter se reunido com os militares no poder e os líderes da revolta popular, dias depois de uma violenta repressão em Cartum que deixou dezenas de manifestantes mortos.

Abiy Ahmed chegou a Cartum para ressuscitar as negociações entre os generais sudaneses e os líderes do protesto depois que a União Africana suspendeu o Sudão até que os militares permitam um governo de transição liderado pelos civis.

A iniciativa do bloco africano foi apoiada pela União Europeia, em meio ao coro de condenação pela repressão da última segunda-feira contra a manifestação em frente ao quartel general do exército pedindo um governo civil.

Desde o início da semana as ruas da capital sudanesa estão quase desertas, com seus habitantes descrevendo um ambiente de "terror", com a presença de paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF).

Nesta sexta-feira, apenas algumas lojas estavam abertas e poucos carros circulavam pelas ruas.

O Sudão é cenário desde dezembro de uma inédita revolta popular, que provocou a queda pelo Exército do ex-presidente Omar al-Bashir em 11 de abril.

Após a destituição de Bashir, os manifestantes passaram a exigir a transferência do poder aos civis.

Neste contexto, Ahmed se reunirá com os comandantes do Conselho Militar, que assumiu o poder após a destituição do presidente Omar al-Bashir. Mais tarde se encontrará com os líderes da revolta.

"Recebemos um convite da embaixada da Etiópia para uma reunião com o primeiro-ministro etíope e vamos comparecer", declarou à AFP Omar al-Digeir, um dos líderes da revolta.

Na segunda-feira, as forças de segurança dispersaram um acampamento dos manifestantes diante da sede do quartel-general do Exército em Cartum e reprimiram qualquer tipo de protesto. Ao menos 113 pessoas morreram na repressão, de acordo com o balanço de uma associação de médicos próxima ao movimento de protestos. O governo cita 61 vítimas fatais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) contabilizou 784 pessoas feridas ingressas nos hospitais de Cartum desde os acontecimentos na segunda-feira. "O número real pode ser mais alto", informou um comunicado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, a União Africana, a União Europeia e o governo dos Estados Unidos condenaram a repressão. Após a violência, representantes do movimento de protesto se negaram a negociar com os militares.

Os líderes dos protestos acusam as RSF, dependentes do poderoso Serviço Nacional de Informação e Segurança (NISS), de serem as responsáveis pela repressão e de imporem um clima de medo na capital.

Alguns especialistas e ONGs compararam as RSF com as milícias Janjawid, acusadas de atrocidades na região sudanesa de Darfur, cenário há anos de um conflito sangrento.

Nos últimos dias, membros das RSF, fortemente armados, caminhavam pelas ruas da capital ou circulavam a bordo de caminhões.

A visita de Ahmed acontece um dia depois de a União Africana (UA) ter anunciado a suspensão do Sudão com efeito imediato da organização continental, até que se estabeleça uma autoridade civil transitória.

A posição da União Africana foi elogiada pela União Europeia (UE), que também pediu "um fim imediato da violência e uma investigação credível sobre os eventos criminosos".

"As negociações com a Aliança para a Liberdade e a Mudança (ALC, a principal organização da contestação) com vistas a implementar uma autoridade de transição liderada por civis devem ser retomadas", insistiu a UE.

Os Estados Unidos também saudaram a "forte mensagem" da UA "às forças de segurança sudanesas pelo assassinato de civis inocentes e por exigirem a transferência de poder para um governo liderado por civis".

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