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Estado de Minas

Jornalistas russos são detidos em protesto contra prisão de colega


postado em 07/06/2019 15:55

Vários jornalistas russos foram detidos pela polícia nesta sexta-feira (7), em Moscou, durante um ato de protesto contra a polêmica prisão de um colega por suspeita de posse de drogas.

A polícia prendeu pelo menos oito pessoas de um grupo de cerca de 100 que exibia cartazes diante da delegacia pela libertação de Ivan Goluvnov. Este último havia sido detido no dia anterior.

Os jornalistas de oposição Ilia Azar e Oleg Kashin foram detidos hoje, mas já estão soltos.

Goluvnov, de 36, trabalha no jornal on-line independente Meduza, cuja sede fica na Letônia.

Segundo a polícia, no momento de sua detenção, o jornalista levava na mochila 4 gramas de mefedrona. Depois, os agentes revistaram sua casa, onde afirmam ter encontrado envelopes com drogas e uma balança.

O Ministério do Interior divulgou fotos do que apresentou como equipamentos para fabricar drogas sintéticas. Depois, as fotos foram retiradas de circulação, e o governo disse que os objetos tinham ligação com outro caso.

O advogado de Goluvnov, Dmitri Yulai, denunciou à AFP que seu cliente foi maltratado durante a detenção.

"Estamos convencidos de que Ivan Goluvnov é inocente. Temos razões para acreditar que Goluvnov está sendo perseguido por suas atividades jornalísticas", declarou a direção do Meduza.

"A reputação profissional de Ivan Goluvnov é irretocável. É um jornalista meticuloso, honesto e imparcial", acrescentou o Meduza.

Goluvnov publicou investigações sobre fraudes no setor dos microcréditos, ou na gestão de coleta de lixo em Moscou.

Se for condenado, poderá passar até 20 anos na prisão, segundo o editor-chefe do Meduza, Ivan Kolpakov.

A ONG Repórteres sem Fronteiras denunciou que a detenção pode levar a "uma escalada significativa da perseguição" de jornalistas independentes na Rússia.

"Acredito que seja uma armação", disse Anna Narinskaya, outra jornalista detida.

"É uma vingança pelas investigações de Goluvnov", acrescentou.

A Anistia Internacional denunciou acusações "duvidosas e que seguem um esquema já conhecido, infelizmente".

A Rússia está na 149ª posição na classificação de liberdade de imprensa da RSF em 2019, atrás de México, Zimbábue, ou Argélia. Vários jornalistas foram agredidos, ou assassinados, nos últimos anos.

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