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Estado de Minas

Grupo de Lima pede que Rússia e China retirem apoio a Maduro


postado em 06/06/2019 19:43

Os membros do Grupo de Lima, que reúne países latino-americanos e o Canadá, solicitaram nesta quinta-feira à Rússia e à China que detenham o seu apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para facilitar uma saída pacífica para a crise.

O Grupo reafirmou seu apoio às gestões de Juan Guaidó, líder opositor e autoproclamado presidente interino, diante "daqueles países que ainda apoiam o regime ilegítimo de Nicolás Maduro", destaca a declaração conjunta ao final do encontro na Cidade da Guatemala.

O documento de sete pontos precisa que para se cortar o apoio internacional a Maduro é preciso trabalhar em "particular com Rússia, China, Cuba e Turquia, para que façam parte da solução de uma crise que tem impacto crescente na região".

Mas o presidente russo, Vladimir Putin, reafirmou nesta quinta seu apoio incondicional a Maduro e perguntou sobre a sanidade dos que apoiam Guaidó.

"Tenho vontade de perguntar aos que o apoiam: Vocês estão loucos ou o que? Vocês entendem onde pode levar isto?", declarou Putin à margem do Fórum Econômico de São Petersburgo.

A Rússia mantém na Venezuela especialistas que se encarregam da manutenção de equipamentos militares, enquanto a China é o principal credor da Venezuela e fornece toneladas de ajuda humanitária, como medicamentos e material médico.

Na declaração lida no final da reunião, o Grupo de Lima assinala Maduro como "o único responsável pela situação humanitária cada vez mais grave do povo venezuelano".

Os países manifestaram sua preocupação com a intensificação do êxodo dos venezuelanos - três milhões desde 2015, segundo a ONU - lamentando "uma das mais graves crises humanitárias em nível mundial".

O Grupo pediu às Nações Unidas e à comunidade internacional que apoiem os esforços dos países que recebem os venezuelanos, que estão sobrecarregados.

Segundo os membros do Grupo de Lima, Maduro está envolvido em "distintas formas de corrupção, narcotráfico e crime organizado internacional por intermédio de familiares e testas de ferro", e permite a presença em seu território "de organizações terroristas e grupos armados ilegais".

No documento, os 14 países membros do Grupo reafirmam a necessidade de se convocar eleições presidenciais livres, justas e transparentes como única saída para a crise na Venezuela.

O Grupo de Lima foi criado em agosto de 2017 na capital peruana para definir uma postura comum em relação à crise venezuelana, e é integrado por uma dezena de países latino-americanos e pelo Canadá.

Os chanceleres do país anfitrião, assim como seus pares de Canadá, Costa Rica, Guyana e Peru estiveram presentes na reunião e os demais países enviaram representantes.

A anfitriã do encontro, a chanceler guatemalteca, Sandra Jovel, abriu a reunião reafirmando "o pedido urgente do restabelecimento imediato da ordem democrática na Venezuela mediante a celebração de eleições livres, transparentes e justas".

Jovel pediu que sejam celebradas na Venezuela eleições com "garantias suficientes com a participação de todos os líderes políticos e com observação internacional, além da nomeação de um novo conselho nacional eleitoral".

A chanceler rechaçou "qualquer intervenção militar ou ameaça de uso da força e qualquer ato de provocação que ponha em risco a paz da nossa região".

O chanceler peruano, Néstor Popolizio, pediu o apoio da comunidade internacional para que "contribua de maneira mais ativa na busca de soluções efetivas para a crise através de eleições livres e justas".

Além disso, anunciou que na primeira quinzena de agosto será realizada Lima uma conferência internacional para analisar propostas que favoreçam o restabelecimento da democracia na Venezuela.

"Será uma oportunidade para que a comunidade internacional analise saídas para a crise política e discuta como se pode apoiar no futuro a recuperação econômica e social da Venezuela".

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