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Estado de Minas

Europa bate recorde na apreensão de cocaína em um mercado em vias de "uberização"


postado em 06/06/2019 08:25

As autoridades europeias apreendem quantidades recorde de cocaína cada vez mais pura, alerta a agência de combate às drogas do continente, que também aponta o aumento do uso de drogas sintéticas e da venda através dos telefones celulares.

O aumento do tráfico nas redes sociais, mercados na 'dark web' e os 'call center' de cocaína estão criando uma possível 'uberização' do negócio de entorpecentes, afirmou a agência em um relatório de 100 páginas.

"Os desafios que enfrentamos na área das drogas continuam aumentando", afirmou Alexis Goosdeel, diretor do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência (EMCDDA), com sede em Lisboa, Portugal.

Goosdeel completou que existem evidências de que drogas como a cocaína estão cada vez mais disponíveis, mas que as "drogas sintéticas e a produção dentro da UE adquirem cada vez mais importância".

Em 2017 foram registradas 104.000 operações de apreensão de cocaína, com o confisco de 140,4 toneladas desta droga.

Os números representam recordes históricos na União Europeia, destaca o estudo.

A oferta de cocaína, o primeiro estimulante ilícito da Europa com 3,9 milhões de consumidores ao ano, "nunca foi tão importante como agora". Em geral, a maconha representou 75% das drogas ilícitas apreendidas na Europa em 2017.

A cocaína, produzida a partir das folhas de coca principalmente na Bolívia e Colômbia, viaja cada vez mais para a Europa por via marítima, com escalas regulares no Caribe, norte e oeste de África, consideradas "importantes zonas de trânsito".

"Destaque para o crescimento do tráfico de grande volume em grandes portos, por meio de contêineres", afirmou o EMCDDA.

Bélgica (45 toneladas) e Espanha (41 toneladas) são os principais centros de entrada da droga por via marítima.

Após o desembarque, antes de chegar ao cliente final, a cocaína segue uma cadeia que provocou o surgimento de novos atores "nos níveis intermediários e no varejo", com novas estruturas "fragmentadas, menos definidas e mais horizontais".

O tráfico nas ruas está sendo substituído pelos sites de venda na 'dark web' ou por transações com criptomoedas.

Os "serviços telefônicos" (call centers) especializados em cocaína utilizam entregadores a domicílio, por meio de contatos em aplicativos como o Whatsapp.

O "espírito de empresa reflete uma possível uberização do comércio da cocaína", aponta o EMCDDA.

"Devemos considerar o papel da digitalização no mercado de drogas", afirma Dimitris Avramopoulos, comissário europeu de Migração, Assuntos Internos e Cidadania, na introdução do relatório.

Ele defende uma "coordenação a nível nacional, europeu e internacional".

Além da cocaína, Goosdeel faz um alerta sobre as drogas sintéticas.

"Em 2018 foram detectados 11 opioides sintéticos novos na Europa, habitualmente na forma de pó, comprimido e líquidos", afirma o estudo.

O continente parece ter um papel crescente na produção de drogas sintéticas, como demonstra o desmantelamento de 21 laboratórios de MDMA, todos na Holanda, contra apenas 11 em 2016.

O estudo também mostra que a Turquia virou uma zona significativa de trânsito para o tráfico de drogas entre Europa e Oriente Médio.


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