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Estado de Minas

Casa Branca estabelece condições para México evitar tarifas


postado em 05/06/2019 19:01

Os Estados Unidos definiram suas condições na quarta-feira antes de iniciar negociações cruciais com o México. A Casa Branca ameaça taxar suas importações se o fluxo crescente de migrantes que buscam atravessar a fronteira entre os dois países não for interrompido.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que o México quer um acordo para evitar as tarifas, em declarações feitas da Irlanda, antes dos diálogos entre o vice-presidente Mike Pence e a delegação mexicana, liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, na tarde desta quarta.

"Temos uma crise em nossa fronteira sul", disse Pence no Twitter, após ser anunciado um pico de detenções na fronteira sul dos EUA, com 144 mil imigrantes em maio, 32% a mais do que em abril.

O vice-presidente publicou um gráfico do Gabinete de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) mostrando que o número de maio representa quase três vezes mais do que um ano atrás, um aumento que surpreendeu a Patrulha da Fronteira.

O CBP disse que o ritmo de chegada de pessoas sem documentação regular - que somam 677 mil desde outubro - é o mais alto desde 2006. Então, os migrantes eram principalmente homens solteiros do México, enquanto agora são em sua maioria famílias da Guatemala, de Honduras e de El Salvador. Do total de detidos em maio, 57.718 eram crianças.

"O presidente deixou claro que o México deve fazer mais", disse Pence, observando que a reunião com Ebrard contará com a presença do chefe da diplomacia dos EUA, Mike Pompeo, e do secretário de Segurança Interna, Kevin McAleenan, encarregado da política de imigração.

Mais cedo, Trump alertou que a economia mexicana será afetada se o governo do presidente Andrés Manuel López Obrador não fizer algo para deter os migrantes e as "drogas" que atingem a fronteira sul dos Estados Unidos.

"Eu acho que o México tem que fazer mais, e se isso não acontecer, as tarifas vão continuar e, se elas subirem, as empresas retornarão aos Estados Unidos. É muito simples", afirmou.

Trump anunciou surpreendentemente na semana passada que os Estados Unidos aplicarão, a partir de 10 de junho, tarifas de 5% sobre todos os produtos mexicanos, que aumentarão até 25% a partir de 1º de outubro, caso o governo AMLO não pare o crescente fluxo de imigrantes indocumentados que chegam à fronteira sul dos EUA.

O comissário interino do CBP, John Sanders, disse na quarta-feira que os migrantes estão chegando mais em grupos do que sozinhos, incluindo um único grupo de 1.036 pessoas presas em El Paso, no Texas, em 29 de maio, um dia antes de Trump anunciar sua ameaça tarifária.

- Demandas da Casa Branca -

Nesta quarta-feira, horas antes de ambos os governos iniciarem formalmente o diálogo sobre o assunto, o consultor econômico da Casa Branca, Peter Navarro, impôs três condições aos negociadores mexicanos.

Primeiro, eles podem impedir que os migrantes viajem para os Estados Unidos em busca de asilo, admitindo-os para o México, disse ele à CNN. "Eles podem se comprometer a levar todos os requerentes de asilo e, em seguida, aplicar as leis mexicanas, que são muito mais fortes do que as nossas", explicou.

Segundo, disse Navarro, o México deve monitorar com mais firmeza sua fronteira sul com a Guatemala para impedir a entrada de migrantes. "A fronteira sul que o México tem com a Guatemala está a apenas 240 quilômetros de distância e, além disso, tem postos de controle naturais e artificiais que são realmente fáceis de monitorar", disse.

Por fim, exigiu que o México combata a corrupção de seus agentes nos postos fronteiriços. "Esses postos de controle são criados para deter a enxurrada (de migrantes), mas, na prática, está lá a corrupção. São os funcionários do governo que ganham dinheiro com este tráfico de pessoas, isso tem que parar", declarou. "Isso é o que estamos procurando".

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