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Estado de Minas INTERNACIONAL

Trump promete acordo comercial para que britânicos rompam com UE


postado em 05/06/2019 05:00

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na terça-feira, 4, no segundo dia de sua visita a Londres, que espera alcançar um "acordo comercial substancial" com o Reino Unido após a saída do país da União Europeia. Apesar da promessa, analistas não acreditam que um tratado de livre-comércio com os americanos alivie o impacto de um Brexit sem acordo.

"Acredito que teremos um acordo comercial muito substancial", afirmou Trump, ao lado da premiê britânica, Theresa May. Elogiando a "grande aliança" entre os dois países, May respondeu que ela "seria ainda maior" se houvesse "um grande acordo bilateral". O anúncio é mais uma tentativa de Trump de incentivar a saída do Reino Unido da UE sem acordo - o que ele vem estimulando desde que chegou à Casa Branca.

Antes da visita, Trump afirmou que o Reino Unido não deveria pagar a conta da separação da UE - cerca de € 45 bilhões (R$ 197 bilhões). Na viagem, o presidente voltou a apoiar a ruptura radical com a UE. Na terça, ele se encontrou com Boris Johnson, favorável a um Brexit sem acordo e favorito para substituir May. O presidente também conversou com Nigel Farage, líder nacionalista e eurocético.

A agenda de Trump provocou críticas. O ministro britânico do Comércio, Liam Fox, afirmou que o Brexit "não pode ser usado como arma" para aqueles que procuram se aproveitar do Reino Unido. "A hipótese de uma saída sem acordo não pode ser tirada da mesa, caso contrário ficaremos sem cartas para negociar." Já o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbin, afirmou que Trump "quer se aproveitar do enfraquecimento do Reino Unido para obter um acordo" bom apenas para os EUA.

O temor se deve às dificuldades que o Reino Unido tem enfrentado para selar acordos comerciais. Segundo dados oficiais, 49% do comércio do país se dá com a UE, 15% com os EUA e 36% com outros países. Estimativas mostram que o país teria de renegociar 750 acordos comerciais, firmados por meio da UE, que perderiam a validade após o Brexit. Até fevereiro, Londres havia concluído apenas 45.

Em termos financeiros, até agora, o Reino Unido conseguiu acordos que cobrem € 41,5 bilhões dos € 132 bilhões do comércio com a UE. Especialistas afirmam que seria muito difícil para os EUA negociarem um acordo comercial com o Reino Unido que compensasse as perdas do Brexit, porque os EUA são menos importantes para a economia britânica. Em 2017, os EUA representavam 18% das exportações e 11% das importações, enquanto a UE respondia por 45% e 53%, respectivamente.

Especialistas relacionam a extensão do comércio a três forças: o tamanho do parceiro comercial, a distância e a profundidade dos acordos comerciais. "UE e EUA têm economias de tamanhos parecido, mas fazemos três vezes mais comércio com a UE do que os EUA, porque ela está mais perto", disse Alan Winters, da Universidade de Sussex.

Para compensar qualquer queda após o Brexit, o comércio entre Reino Unido e EUA teria de crescer em proporção maior - cada queda de 10% do comércio com a UE exigiria um aumento de 37% no comércio com os EUA. Além de não compensar as perdas, analistas afirmam que, em um mundo pós-Brexit, o Reino Unido será forçado a fazer mais concessões.

Em fevereiro, a Casa Branca publicou um relatório com diretrizes para um acordo comercial com o Reino Unido, defende uma linha-dura na negociação para garantir "acesso abrangente" a produtos agrícolas americanos na Grã-Bretanha.
"O acordo que os americanos têm em mente está mais próximo de um relacionamento abusivo com um país vulnerável", disse ao jornal O Estado de S. Paulo David Henig, diretor do Centro Europeu de Política Econômica Internacional. "Trump parece mais interessado em uma diplomacia tarifária, de embate, que tenta obter o máximo de vantagem a qualquer custo." Para especialistas, o cenário reflete o reduzido poder de barganha que os britânicos terão após o Brexit. "O Reino Unido negociará como um país de 66 milhões de pessoas, enquanto a UE representa um bloco de 500 milhões", afirma Henig. (Com agências internacionais)


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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