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Estado de Minas

Conselho de Segurança da ONU se reúne por crise no Sudão


postado em 04/06/2019 20:25

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta terça-feira (4) a portas fechadas para discutir a crise no Sudão, depois que as autoridades militares de Cartum anunciaram um plano para realizar eleições após uma sangrenta repressão na qual morreram 40 pessoas.

Alemanha e Reino Unido solicitaram a reunião em meio ao alerta internacional pela violência desatada em Cartum, onde as forças de segurança dispersaram protestos contra o governo militar, realizados há semanas.

"Precisamos de um retorno urgente à mesa de negociações", disse o embaixador alemão, Christoph Heusgen, antes da reunião. "A legitimidade não pode vir do cano de uma arma".

O diplomata alemão descartou um plano do conselho militar do Sudão de realizar eleições em um prazo de nove meses, com o argumento de que não existiam condições necessárias em todo o país.

"Neste momento, pedir eleições antecipadas é negar a democracia", disse Heusgen aos jornalistas.

Estados Unidos, Reino Unido e Noruega demonstraram a mesma postura, defendendo uma transição ordenada para um governo civil.

"Ao ordenar estes ataques, o Conselho Militar de Transição pôs o processo de transição e paz no Sudão em risco", disseram os três países em um comunicado conjunto.

"O povo do Sudão merece uma transição ordenada, liderada por civis, que possa estabelecer as condições para eleições livres e justas, ao invés de ter eleições precipitadas, impostas pelas forças de segurança do CMT (Conselho Militar de Transição)", disseram.

O CMT destituiu o veterano presidente Omar al Bashir em abril, após meses de protestos contra seu regime autoritário, e acordou um período de transição de três anos - criticado pelos manifestantes por ser extenso demais - a uma administração civil.

Mas o general Abdel Fatah al Burhan anunciou nesta terça-feira que o plano tinha sido abandonado e que as eleições seriam realizadas sob "supervisão regional e internacional" em um prazo de nove meses.

"Fazemos um chamado a uma transferência de poder acordada a um governo liderado por civis, como exige o povo do Sudão", disseram os Estados Unidos, o Reino Unido e a Noruega.

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