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Estado de Minas

Trump quer 'acordo comercial muito substancial' com Reino Unido


postado em 04/06/2019 13:13

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (4) acreditar em um grande acordo comercial com o Reino Unido, após o Brexit, e se declarou convencido de que se chegará a uma solução com Londres sobre o grupo chinês Huawei.

"Há um potencial tremendo nesse acordo comercial", declarou o americano em entrevista coletiva com a primeira-ministra Theresa May, em Downing Street.

Mais cedo, no início de uma reunião com empresários britânicos e americanos na companhia de Theresa May, Trump já havia se pronunciado nesse sentido. "Acredito que teremos um acordo comercial muito, muito substancial. Nós vamos fazer isso", acrescentou.

Na coletiva de imprensa, o presidente americano disse também que está "absolutamente seguro" quanto à possibilidade de chegar a um acordo sobre a participação do grupo chinês Huawei, no desenvolvimento da rede 5G britânica. A parceria é vista com desconfiança pelos Estados Unidos.

"Estou absolutamente seguro de que vamos ter um acordo", afirmou Trump na mesma coletiva de imprensa.

Elogiando a "grande aliança" entre os dois países, May ressaltou que acredita que "podemos torná-la ainda maior", graças a um grande acordo bilateral "com uma cooperação econômica mais ampla, e continuando nosso trabalho conjunto para apoiar, modelar e influenciar a economia global e suas regras e instituições".

May foi a primeira líder estrangeira recebida na Casa Branca após a vitória eleitoral de Trump, mas a relação entre os dois países está longe de ser perfeita: o Reino Unido defende o acordo nuclear com o Irã e o acordo sobre o clima de Paris, ambos denunciados por Washington.

O presidente americano criticou diversas vezes a estratégia de negociação da primeira-ministra com Bruxelas e pressiona o Reino Unido para que exclua a gigante da tecnologia chinesa Huawei de sua rede de 5G por razões de segurança, sugerindo que pode prejudicar a cooperação de Inteligência entre os dois países.

Uma autoridade do governo britânico disse ao The Times que May "não vai pedir desculpas" por ter decidido, segundo a imprensa, permitir que a Huawei construa partes não vitais da próxima geração de Internet móvel do país.

- "Baby Trump" nos protestos -

O segundo dia da visita de Estado de três dias de Trump está sendo marcado por encontros políticos e por protestos nas ruas.

Marcando o tom, milhares de manifestantes convocados por diversas organizações de defesa dos direitos humanos, da luta contra as mudanças climáticas, ou contra a guerra, tomavam o centro de Londres para protestar contra Trump e suas políticas.

Uma contagem regressiva antecedeu a apresentação de um enorme balão representando um bebê Trump laranja e de fralda, já usado nas manifestações do ano passado, por ocasião de uma visita de trabalho do presidente americano.

Outra figura satírica, um boneco gigante representando Trump tuitando com seu celular sentado no banheiro com as calças abaixadas, foi levantada na praça central de Trafalgar, outro ponto de protesto.

"Suas políticas são terríveis (...) mas ele mesmo é horrível. É simplesmente mau. Oferecer a ele uma visita de Estado parece que estamos de acordo com ele. Então queremos lhe dizer 'você não é bem-vindo, vai embora!'", disse à AFP a manifestante Lauren Donaldson, de 31 anos, funcionária de uma instituição beneficente.

Também participou do ato o líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, que mobilizou a multidão com um discurso contra a "guerra", a "vantagem pessoal" e a "cobiça", e a favor do planeta e dos migrantes.

Trump disse ter-se negado a se reunir com Corbyn e classificou de "fake news" as informações sobre os protestos em massa. Foram "muito pequenos", minimizou, após ter declarado que não tinha visto as manifestações.

No que muitos consideram como uma nova intromissão na política doméstica, Trump conversou com alguns dos candidatos a substituir a primeira-ministra.

Ele conversou por cerca de 20 minutos por telefone com o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson. O polêmico político britânico negou, porém, um encontro pessoalmente, afirmando que coincidiria com o primeiro debate dos candidatos, prevista para esta terça à noite. Segundo uma fonte ligada ao secretário de Meio Ambiente, Michael Gove, Trump também pediu para se reunir com ele.

Após o referendo de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deveria ter deixado a União Europeia em 29 de março. Mas, diante da rejeição do Parlamento britânico em aprovar o acordo de divórcio assinado por May com Bruxelas, a data teve de ser adiada duas vezes, sendo agora 31 de outubro.

Enfraquecida pelos ataques dos eurocéticos dentro de seu partido conservador, que a acusam de ter feito concessões inaceitáveis para a UE, May anunciou que deixará o cargo em 7 de junho, abrindo o caminho para a eleição de outro líder.

Uma das razões defendidas pelos partidários do Brexit para abandonar totalmente a União Europeia é poder assinar acordos de livre-comércio com países terceiros. Suas esperanças estão agora com o maior parceiro comercial do Reino Unido no mundo.

Os desejos de Trump por um acordo "substancial" estão cercados de polêmica, porém, depois que seu embaixador em Londres, Woody Johnson, sugeriu no domingo que o Reino Unido teria que permitir a entrada em seu mercado de produtos agrícolas americanos como o frango com cloro e autorizar o setor privado do país a participar de seu serviço público de saúde (NHS, na sigla em inglês).

"Quando você negocia sobre comércio, tudo está sobre a mesa. Então, também o NHS e todo resto, e muito mais ainda", frisou Trump na entrevista coletiva com May.

"Podemos diferir às vezes sobre como enfrentar os desafios", reconheceu a premiê.

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