O presidente do Haiti, Jovenel Moïse, foi acusado de comandar um "esquema de desvio de verbas" pelo Tribunal Superior de Contas, que tornou público nesta sexta-feira um relatório de mais de 600 páginas sobre a má gestão da ajuda enviada pela Venezuela.
Os juízes descobriram que em 2014 o governo contratou para o reparo do mesmo trecho de uma estrada duas empresas com nomes diferentes, Argitrans e Betexs, mas que possuíam o mesmo registro fiscal e os mesmos funcionários.
"As duas empresas realizaram as mesmas obras de maneira distinta na mesma data", aponta o documento do tribunal, que considera "nem mais nem menos que um esquema de desvio de fundos".
Antes de assumir a presidência em 2017, Moïse dirigia Agritrans, que recebeu mais de 700 mil dólares para um projeto viário, quando sua atividade consistia na produção de bananas.
A Agritrans também recebeu um adiantamento verba de quase dois meses antes da assinatura do contrato, um dado que levou o tribunal a concluir que houve "concluio, favorecimento e desvio de fundos".
Outro contrato de reformas em estradas foi concedido à empresa de Moise em 2015 apesar da opinião contrária do Tribunal de Contas.
Entre 2008 e 2018, o Haiti participou do programa Petrocaribe, lançado pelo falecido presidente da Venezuela Hugo Chávez e que facilitou o acesso a vários produtos derivados do petróleo a preços vantajosos por países latino-americanos e caribenhos.