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Estado de Minas

Trump aumenta pressão contra México com ameaça de tarifas


postado em 31/05/2019 20:43

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou nesta sexta-feira (31) a pressão contra o México: após anunciar tarifas com o objetivo de deter a imigração ilegal, pediu ao vizinho do sul para "recuperar" o controle do país das mãos do narcotráfico.

"O México deve recuperar seu país dos senhores da droga e dos cartéis. As tarifas têm a ver com deter as drogas, assim como os (imigrantes) ilegais!", tuitou Trump.

Horas antes, o líder americano havia anunciado medidas tarifárias contra o México, numa manobra para deter o crescente número de migrantes ilegais que chegam à fronteira sul americana e após informar sobre um grupo recorde de mais de mil centro-americanos detidos no Texas nesta semana.

Na noite de quinta, Trump anunciou que a partir de 10 de junho os Estados Unidos vão impor tarifas de 5% a todos os produtos que entrarem no país vindos do México, um percentual que será ampliado gradualmente até um máximo de 25%, que será mantido "até que seja resolvido o problema da imigração ilegal".

Não contente, o mandatário afirmou que "90% das drogas que chegam aos Estados Unidos" entram através da fronteira com o México, e afirmou que "80 mil pessoas morreram no ano passado" e 1 milhão "se viram arruinadas".

"O México tem se aproveitado dos Estados Unidos há décadas", escreveu Trump no Twitter. "É hora de que finalmente façam o que deve ser feito!".

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, considerou nesta sexta-feira que a tensão gerada pelo anúncio de tarifas por parte EUA não vai interromper os passos para ratificar o acordo, garantindo que seu governo faz o possível para enfrentar a imigração ilegal.

O impacto das taxas seria devastador para o México, que envia 80% de suas exportações para os Estados Unidos. Mas López Obrador lembrou Trump que as tarifas também teriam um alto custo para os Estados Unidos, cujo maior parceiro comercial neste ano é o México, principalmente por conta da guerra comercial de Trump com a China.

Em viagem a Washington, o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, anunciou no Twitter que se reunirá na próxima quarta-feira com o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, "para resolver a disputa" com os Estados Unidos.

"Seremos firmes e defenderemos a dignidade do México", disse ele, lembrando que ele já falou ao telefone com Pompeo e Jared Kushner, genro de Trump e um de seus principais assessores. "Nós seguimos em frente", disse ele.

- 'Imprudência' -

Trump anunciou as novas tarifas ao México no mesmo dia em que iniciou o processo de ratificação do acordo de livre-comércio da América do Norte, o T-MEC (na sigla em espanhol), selado em novembro passado entre Estados Unidos, México e Canadá.

Trump anunciou as novas tarifas no mesmo dia em que os Estados Unidos e o México iniciaram o processo de aprovação nos respectivos Congressos do acordo de livre-comércio renegociado entre os Estados Unidos, México e Canadá que deverá substituir o Nafta, em vigor desde 1994, o T-MEC (na sigla em inglês).

AMLO estava confiante na ratificação.

Mas a aprovação do T-MEC não parece que será fácil no Capitólio.

A ameaça de tarifas foi considerada uma "imprudência" que poderia prejudicar as relações bilaterais em meio à conclusão do T-MEC, advertiu a líder democrata no Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, lamentando a "ignorância" de Trump ao promover "prematuramente". a ratificação do acordo.

Pelo menos seis aliados do Trump no Senado controlado pelos republicanos também questionaram a ameaça das tarifas, observando que "a política comercial e a segurança das fronteiras são questões separadas", e que sua imposição prejudicaria o progresso do T-MEC.

- "Uma empresa criminosa" -

Trump se comprometeu durante a campanha presidencial de 2016 em acabar com a imigração ilegal, mas o número de migrantes detidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México superou os 100 mil por mês nos últimos meses, incluindo um novo recorde de 58.474 pessoas que cruzaram em abril.

Segundo o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, o México exporta "estrangeiros ilegais" para os Estados Unidos, com uma "rede de fornecimento" cuidadosamente montada por "uma empresa criminosa" desde "os locais mais distantes da Guatemala, Honduras".

Mas para Ana María Salazar, ex-funcionária do Pentágono e especialista em relações bilaterais, Trump tem motivações eleitorais.

Como "a reeleição está ficando complicada para ele", é útil para ele "ter um confronto com o presidente de México. A parte ruim é que esse confronto pode levar a não ratificação do acordo de livre-comércio da América do Norte, o T-MEC, surgindo assim graves consequências para o México, Estados Unidos e Canadá", disse Salazar.


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