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Estado de Minas

Moda que desafia barreira dos gêneros tem marca própria na América Latina


postado em 28/05/2019 19:07

"O amor não tem gênero", diz a estampa de uma camiseta da Omnia, uma marca de roupa "genderless" que duas jovens chilenas promovem no Instagram e cuja primeira coleção esgotou em minutos.

A tendência da vestimenta sem gênero, "genderless", neutra ou unissex se destacou nos últimos anos nas passarelas de Milão a Nova York, apesar de que suas origens remontam a Coco Chanel na década de 1920 e inclusive às rebeldes "flappers".

Esta corrente, de modelos folgados ou ajustados para se adaptar a qualquer silhueta, ganha impulso com suas próprias referências na América Latina, em um momento de efervescência feminista e reivindicação da diversidade sexual.

Estilistas na Argentina, Brasil, Chile e México, entre outros, apagam de suas criações os limites do tradicional para se aventurar a um estilo ligado a transformações sociais.

"Era muito importante fazer uma marca que estivesse em contato com os clientes, que lutasse pelas coisas que eles também lutam. Sentimos que essa era a base de nossa marca", relata a estilista Monserrat Góngora (23), que criou a Omnia ("todos", em latim) junto com Bernardita Danús (22), estudante de Engenharia Comercial.

Amigas que se tornaram sócias, aproveitaram os mais de 54.000 seguidores que Danús tinha nas redes e a expertise em design de Góngora para desafiar preconceitos.

Hoje se preparam para o segundo lançamento dirigido à geração pós-millennial, para a qual as fronteiras entre o masculino e o feminino são cada vez mais difusas.

- Liberdade ao vestir -

Com sua proposta urbana, Mancandy, destacada pela Vogue no México, também é expoente deste conceito que se consolida na região. As peças idealizadas por Andrés Jiménez, majoritariamente "oversized" ou muito grandes, representam mais que tecidos cortados de uma ou outra forma.

"A mensagem principal é a liberdade. Liberdade para vestir o que você gosta. Liberdade para ser quem você quer ser", explica o estilista, que persegue o conforto dos que usam suas criações "com seus corpos e com quem são por dentro".

Em anos de trajetória, a marca - entre cujas transgressões registra um lançamento de temporada no metrô da capital mexicana - passou de ser vanguardista a um reflexo de época.

Emiliano Blanco, da empresa argentina Kostume, prefere definir o conceito subjacente como "multigênero", em vez de "sem gênero", em busca de um termo que considera mais inclusivo.

Tampouco fala de um momento da moda, mas de uma mudança do outro lado, segundo sua experiência no local da marca que criou com Camila Milessi na capital argentina em 2001: "Com o passar dos anos começamos a nos dar conta de forma muito clara: os clientes já não se interessavam pela distinção de gênero nas araras. Nesse momento notamos que não ia se tratar de uma tendência, mas de uma evolução do consumidor".

O grande mercado brasileiro também faz uma incursão nas águas pelas que navegaram Chanel, Kenzo e Salvatore Ferragamo. Uma referência é a Pair, em São Paulo, que desde seu início buscou a "democratização" da moda e reunir um volume de peças que atravessasse as barreiras de gênero.

"As pessoas já não se ajustam aos padrões finitos, somos infinitos e sentimos o desejo de transbordar nossa pessoa em nossa roupa", afirma sua diretora, Carla de Lima Ribeiro.

Com desenhos minimalistas e cores básicas - em sua maioria branco, preto e cinza -, Pair surgiu da necessidade de atender a um público mais amplo que renegava o estabelecido. "Considero a liberdade de expressão como o futuro da moda, as peças de roupa sem gênero são uma resposta a isso", diz.

- Além das passarelas -

No mercado mundial, não só as marcas de luxo apresentaram suas coleções unissex. Outras de "fast fashion" e preços acessíveis, como a espanhola Zara e a sueca H&M;, também fizeram eco da mudança nos últimos anos.

Não isenta de polêmica, esta expansão preparou o terreno para que esta moda chegue a um público mais amplo. Inclusive o latino-americano, cujas próprias manifestações adquiriram uma relevância crescente.

"Todas as marcas de roupa deveriam ser unissex", afirma Góngora, para quem o futuro da moda é um onde não se distinga entre um gênero e outro. Algo que para ela, sua sócia e muitos de seus pares é quase óbvio.


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