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Estado de Minas

Primeiro dia de greve geral no Sudão ante bloqueio de negociações


postado em 28/05/2019 07:55

Centenas de passageiros ficaram presos no aeroporto e na principal rodoviária da capital sudanesa, Cartum, nesta terça-feira (28), no primeiro dia de uma greve geral de dois dias que pretende fazer com que os militares transfiram o poder para uma administração civil.

As negociações entre os líderes da contestação e os generais que derrubaram o presidente Omar Al-Bashir estão num impasse, porque as partes não conseguem entrar em um acordo sobre quem deve liderar o novo órgão de governo: se um civil ou um militar.

Esse órgão deverá, em princípio, estabelecer um governo provisório civil que terá que organizar eleições em três anos.

Em uma tentativa de intensificar a pressão sobre o conselho militar que assumiu a liderança do país após a derrubada de Al-Bashir, o movimento de protesto da Aliança para a Liberdade e a Mudança (ALC) convocou uma greve geral por dois dias.

Centenas de passageiros do aeroporto de Cartum não puderam embarcar, porque muitos trabalhadores aderiram à greve, observou um correspondente da AFP no local.

Muitos funcionários carregavam cartazes indicando que estavam em greve.

As companhias aéreas sudanesas Badr, Tarco e Nova suspenderam seus voos nesta terça, apesar de alguns voos internacionais ainda estarem programados.

Centenas de funcionários também entraram em greve na principal rodoviária da capital.

"Eu tenho que viajar para Gadaref para estar com minha família para o Eid Al Fitr [feriado que marca o fim do Ramadã], mas não estou com raiva porque entendo as razões da greve", disse Fatima Omar, que esperava com seus filhos no terminal.

O líder dos protestos, Siddiq Farukh, disse à AFP que a greve era uma mensagem para o mundo de que o povo sudanês "não quer que o poder esteja nas mãos dos militares".

Outro líder proeminente da contestação, Wajdi Saleh, afirmou a repórteres na segunda-feira que "ainda não houve progresso" nas negociações, mas que o movimento de protesto está disposto a discutir se os generais o desejarem.

"Esperamos chegar a um acordo com o Conselho Militar para não termos que fazer uma greve por tempo indeterminado", disse ele.

De acordo com os líderes do movimento, funcionários da saúde, da água, da eletricidade, dos transportes públicos, das ferrovias, das telecomunicações e da aviação civil devem participar da greve.

Em contrapartida, a formação opositora e membro-chave da ALC, Al Uma, rejeitou a greve geral, argumentando que não havia consenso sobre a adequação da greve.

"Vemos o Conselho Militar como parte do antigo regime. Não o vemos apoiando qualquer direito ou construindo um Estado justo", disse um manifestante, Hazar Mustafa.

O exército derrubou Omar Al-Bashir em abril, após meses de protestos.

Mas os generais, que têm o apoio das potências regionais, até agora ignoraram os apelos dos governos ocidentais e dos manifestantes de transferir o poder para os civis.

Antes de suspender as negociações na semana passada, os manifestantes e os militares chegaram a acordos sobre várias questões fundamentais, como a criação de um período transitório de três anos e a criação de um Parlamento com 300 cadeiras, dois terços dos quais para representantes do movimento de protesto.


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