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Estado de Minas

Extrema direita e ecologistas na Bélgica fragmentam parlamento


postado em 26/05/2019 21:55

A queda dos partidos tradicionais na Bélgica, juntamente com a ascensão da extrema-direitista e dos ecologistas, deixam uma paisagem política fragmentada, que anuncia algumas negociações complexas para formar um governo.

A extrema direita flamenca do Vlaams Belang (interesse flamenco), que passou de 3 apara 18 deputados em um Parlamento de 150, foi a surpresa dessas eleições legislativas, tornando-se a segunda força política na região.

No outro extremo, a formação radical de esquerda do Partido Trabalhista da Bélgica obteve 12 deputados no total entre os distritos eleitorais de Flandres, da região de língua francesa da Valônia e da bilíngue de Bruxelas-Capital.

O avanço desses dois partidos demonstra a fragmentação do espectro político, embora o atual primeiro-ministro, o liberal de língua francesa Charles Michel, já tenha descartado a possibilidade de uma eventual negociação de um governo de coalizão.

"Os partidos antidemocráticos não estão destinados a estar nas maiorias do governo", disse o chefe de governo de um país conhecido pelas longas negociações para formar um governo que, em 2010-2011, levou 541 dias.

A partir de segunda-feira, o rei Filipe dos Belgas deve realizar uma primeira rodada de consultas com os presidentes dos partidos, no final das quais ele deverá nomear um "informante", uma espécie de mediador para explorar as diferentes opções.

Sua tarefa é árdua, especialmente quando as diferentes correntes políticas - socialistas, liberais, democratas-cristãos, ecologistas - dividem-se em um partido para falantes do francês e outro para falantes do holandês.

- Onda verde -

Os quatro partidos da coalizão de centro-direita no poder entre 2014 e 2018, com os nacionalistas da Nova Aliança Flamenga como um pilar antes de deixar o governo, perdem cerca de 20 deputados, afastando-se da maioria.

O N-VA, primeiro partido do país e de Flandres, recuaram a 25 cadeiras (-8); os liberais francófonos de Charles Michel ficaram com 14 (-6)) e os liberais de língua holandesa do Open VLD caíram para 12 (-2), o mesmo número que os democratas cristãos flamengos do CD&V; (-6).

No sul do país, na Valônia, os socialistas francófonos regridiram um pouco, para 20 assentos (-3), mas mantêm sua primeira posição diante do surgimento de ambientalistas, que, por sua vez, se tornam a primeira força na região de Bruxelas.

Os ecologistas, que em todo o país alcançaram 21 deputados, tornaram-se um dos vencedores dessas eleições e já expressaram sua vontade de formar uma "coalizão climática" com a esquerda, com os centristas e com os liberais.

"Ganhamos amplamente a nossa aposta (...) Esta noite a onda verde avança", disse Zakia Khattabi, co-presidente de Écolo. As semanas que antecederam a votação foram marcadas por uma série de manifestações estudantis para chamar a atenção para as mudanças climáticas.

A outra questão fundamental da campanha foi a política de migração, especialmente quando, no final de 2018, os ministros do N-VA deixaram o governo por sua oposição à assinatura do Pacto Global das Nações Unidas sobre Migração.

"As direitas radicais têm uma dinâmica positiva na Europa, onde a questão da identidade está presente, como em Flandres", disse o cientista político Pascal Dewit, da Universidade Livre de Bruxelas (ULB), antes da votação.

Sobre a questão dos refugiados, o ex-secretário de Estado para as Migrações, Theo Francken (N-VA), alimentou as teses do Vlaams Belang, abertamente anti-imigração. "Na retórica, era o mesmo", segundo o cientista político.

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