Publicidade

Estado de Minas

EUA retira diplomatas do Iraque por ameaça 'iminente' vinculada ao Irã


postado em 15/05/2019 22:07

Os Estados Unidos ordenaram nesta quarta-feira (15) a retirada de seu pessoal diplomático não essencial da embaixada em Bagdá e do consulado em Erbil por "uma ameaça iminente" em "conexão direta com o Irã", em meio a tensões crescentes com o Irã, vizinho do Iraque.

Horas depois do anúncio, um dos funcionários do Departamento de Estado se referiu às "milícias iraquianas sob comando e controle da Guarda Revolucionária do Irã", o exército ideológico da República Islâmica, como uma ameaça "real".

"Diversos grupos terroristas e insurgentes estão ativos no Iraque e atacam regularmente tanto as forças de segurança iraquianas como as civis", escreveu o Departamento de Estado em uma advertência para viajantes.

"As milícias sectárias antiamericanas também podem ameaçar cidadãos americanos e companhias ocidentais em todo o Iraque", acrescentaram as autoridades.

Na tarde desta quarta-feira, fontes do Departamento de Estado detalharam que há "diversos fluxos de ameaças diretamente relacionadas com o Irã".

No ano passado, os Estados Unidos fecharam seu consulado na cidade de Basra, no sul do Iraque, onde impera a lei tribal e há muitos grupos armados, culpando o "fogo indireto" das forças respaldadas pelo Irã e alertando seu rival de represálias por qualquer prejuízo.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, fez, na semana passada, uma surpreendente viagem a Bagdá para fortalecer os laços com o Iraque, enquanto desloca sua "pressão máxima" contra Teerã, arqui-rival dos Estados Unidos, mas aliada do Iraque.

Pompeo disse, então, à imprensa que tinha feito a viagem por uma "escalada da atividade" das forças iranianas e afirmou que a ameaça de ataques era "muito específica".

Em Bagdá, se reuniu com o presidente Barham Saleh e com o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, com quem falou sobre "a importância de que o Iraque garanta que é capaz de proteger de maneira adequada os americanos em seu país".

- Implacável -

Mas a Rússia, importante apoiadora de Teerã, considera que a crise atual remonta à decisão de Washington de se retirar do acordo nuclear com o Irã. O Kremlin expressou suas preocupações com o aumento das tensões.

"Até agora, constatamos uma sustentada escalada das tensões em torno deste tema", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, um depois depois de Pompeo se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin.

O funcionário disse que o entristeciam as decisões tomadas pelo Irã, embora tenha argumentado que Washington provocou Teerã.

O Irã, governado por clérigos xiitas, tem muita influência em seu vizinho, especialmente na zona com maioria xiita do sul do Iraque.

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, alertou que Washington reagiria implacavelmente a qualquer ataque de Teerã.

Na segunda-feira, uma série de ataques de origem desconhecida na região do Golfo alimentou a tensão. Nem a Arábia Saudita nem os Emirados Árabes Unidos, dois aliados muito próximos dos Estados Unidos, especificaram a natureza dos ataques.

- "Não há garantias" -

O Pentágono informou que enviaria vários bombardeios B-52 com capacidade nuclear à região, em resposta a sinais "claros e recentes de que as forças iranianas e seus aliados estão elaborando preparativos para um possível ataque às forças americanas".

Na terça-feira, o general britânico Chris Ghika, porta-voz de seu país na coalizão internacional no Iraque e na Síria, disse que "não se agravou a ameaça que as forças pró-iranianas no Iraque e na Síria representam".

Tanto o líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, quanto Pompeo reduziram o perfil dos temores de que seus países se encaminhem para um conflito.

Khamenei disse aos funcionários iranianos que a disputa "não é de caráter militar porque não vai ter nenhuma guerra".

Pompeo afirmou, por sua vez, perante os funcionários russos no balneário de Sochi que fundamentalmente os Estados Unidos "não buscam uma guerra com o Irã".

Peskov advertiu de todas as formas os jornalistas "que com Pompeo não há garantias" e "que há uma situação óbvia que infelizmente está em escalada".


Publicidade