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Estado de Minas

China responde EUA com escalada na guerra comercial


postado em 13/05/2019 19:31

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China escalou nesta segunda-feira com anúncio de Pequim de um aumento de suas tarifas aduaneiras sobre um montante de US$ 60 bilhões anuais em produtos importados dos EUA, em represália às medidas adotadas por Donald Trump, embora com um fio de esperança pela perspectiva de um encontro entre os dois líderes.

A partir de 1º de junho, a China aplicará tarifas de 10%, 20% e até 25% sobre um conjunto de produtos americanos já taxados, anunciou o Gabinete da Comissão Tarifária do governo chinês.

As novas negociações com o objetivo de dar fim à guerra comercial bilateral, apresentadas como a última oportunidade, acabaram na semana passada em Washington sem um acordo entre as duas potências.

O presidente dos Estados Unidos aprovou na sexta-feira, como medida punitiva, um salto de 10% para 25% das tarifas de importação de produtos chineses que representam um montante de 200 bilhões de dólares por ano. Ele ainda pediu para taxar os 300 bilhões restantes de importações chinesas.

Os principais mercados de ações globais sofreram grandes perdas nesta segunda-feira, devido ao ressurgimento do conflito comercial. Wall Street caiu 2,37%, em sintonia com uma tendência de queda na Europa: Londres recuou 0,55%, Paris, 1,22%, e Frankfurt, 1,52%.

- Reunião durante o G20 -

Em meio a declarações inflamadas, que incluíam ameaças de Trump à China durante a manhã, o presidente dos Estados Unidos mostrou alguma esperança ao anunciar que se reunirá com seu colega chinês no final de junho na reunião do G20 no Japão à tarde.

"Eu acho que provavelmente será uma reunião muito frutífera", disse Trump a repórteres, especificando que ele ainda não havia tomado uma decisão sobre a imposição de mais impostos sobre o restante das importações.

"Eu amo a posição em que estamos", disse Trump. "Eu acho que está funcionando muito bem", acrescentou.

Nos últimos dias, o governo chinês prometeu várias vezes que tomará "as medidas necessárias de retaliação" no caso de uma escalada.

"A China nunca cederá a nenhuma pressão externa. Temos a determinação e a capacidade de defender nossos legítimos direitos e interesses", disse Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim na segunda-feira.

Antes das medidas anunciadas nesta segunda por Pequim, quase todos os produtos americanos já tinham sido sobretaxados na China. As tarifas atingiam 110 bilhões de dólares - de um total anual de 120 bilhões - de importações dos EUA.

- Boeing na mira? -

Pequim também poderia deixar de comprar produtos agrícolas e reduzir suas encomendas de aviões da Boeing, disse no Twitter Hu Xijin, influente editor-chefe do jornal chinês Global Times, próximo ao poder.

O principal negociador comercial da China, o vice-primeiro-ministro Liu He, disse na sexta-feira que as negociações com os Estados Unidos continuarão em Pequim, mas não antecipou uma data.

Trump iniciou este conflito comercial no ano passado por causa de reclamações sobre práticas comerciais chinesas consideradas desleais.

Os Estados Unidos pressionam a China para mudar sua política de proteção à propriedade intelectual, bem como subsídios maciços para empresas estatais e reduzir o grande déficit comercial.

Desde o ano passado, Washington e Pequim impuseram tarifas sobre várias centenas de bilhões de dólares no comércio bilateral, prejudicando as exportações agrícolas dos EUA para a China e afetando seriamente os setores industriais das duas nações.


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