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Estado de Minas

Após vitória socialista, Espanha enfrenta semanas de negociações para formação de governo


postado em 29/04/2019 09:55

Com uma nova votação prevista para dentro de um mês, a Espanha enfrenta a possibilidade de várias semanas de negociações antes da formação de um governo, um dia depois da vitória do socialista Pedro Sánchez nas legislativas, mas sem maioria absoluta.

Em 26 de maio, os espanhóis voltarão às urnas para as eleições municipais e europeias, assim como regionais em 12 das 17 autonomias do país. Antes de escolher uma opção, ou outra, Pedro Sánchez preferirá medir forças de forma definitiva.

"Temos que ver o que acontece nas prefeituras (...) em muitas comunidades autônomas e, certamente, no Parlamento Europeu", afirmou nesta segunda-feira a presidente do PSOE, Cristina Narbona, em uma entrevista à Rádio Nacional da Espanha.

"Não há nenhuma pressa. No momento, seguimos em campanha", enfatizou.

Neste panorama, Sánchez, primeiro-ministro em função a partir desta segunda-feira, poderá tomar tempo para refletir.

"Podemos seguir mantendo o dia a dia, o rumo da administração geral do Estado", destacou a vice-premiê Carmen Calvo.

O líder socialista, que chegou ao poder em junho após uma moção de censura contra o conservador Mariano Rajoy, vê-se agora legitimado pela grande vitória de domingo, na qual seu partido conquistou 123 das 350 cadeiras da Câmara Baixa.

Além disso, o Partido Socialista (PSOE) arrebatou do Partido Popular a maioria absoluta no Senado.

O PP ficou em um segundo lugar muito distante, com apenas 66 deputados, contra 137 eleitos nas legislativas de 2016.

A coalizão de direita está descartada, pois a soma do PP com os liberais do Cidadãos (57 cadeiras) e a extrema direita do Vox, que conseguiu entrar no Parlamento com 24 deputados, chega a 147. Muito longe, portanto, da maioria absoluta de 176 assentos.

- Várias opções para Sánchez -

Pedro Sánchez, por outro lado, tem várias opções que devem ser comparadas.

Ele pode continuar governando sozinho, como fez durante mais de 10 meses, mas desta vez com 123 deputados e não 85. "Vamos tentar", advertiu Carmen Calvo.

Outra possibilidade seria abrir o governo ao partido de esquerda radical Podemos, que saiu enfraquecido das legislativas (42 cadeiras, contra 67 na legislatura anterior) e não poderá ditar suas condições.

Com o apoio de vários partidos regionais, Sánchez ficaria próximo da maioria absoluta. E bastaria a abstenção de apenas um deputado catalão para vencer uma segunda votação de posse no Parlamento, quando a maioria simples é suficiente.

Uma terceira opção seria ampliar a coalizão com o Podemos aos separatistas da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), o que levaria a maioria a 180 cadeiras.

Nos últimos meses, a ERC se mostrou mais moderada do que o partido do ex-presidente regional Carles Puigdemont, o Juntos pela Catalunha. Não deixa de ser um aliado incômodo, porém, com a intenção de negociar um futuro referendo de autodeterminação na Catalunha, condição inaceitável para Sánchez.

- Críticas da direita -

A direita acusa o atual primeiro-ministro de estar pronto para um acordo com os separatistas em detrimento da unidade da Espanha.

Em tese, Pedro Sánchez também poderia estabelecer aliança com o Cidadãos, com o qual somaria maioria absoluta, de 180 cadeiras.

Mas o líder dos liberais, Albert Rivera, passou o último ano em uma campanha agressiva contra o socialista e está tentando se posicionar como o líder da centro-direita, após a queda do PP.

Além disso, a possibilidade de aliança com o Cidadãos parece provocar resistências entre a militância socialista, como ficou evidente no domingo à noite, quando centenas de simpatizantes do PSOE gritaram para Sánchez "Com Rivera, não! Com Rivera, não!".

Nesta segunda-feira, a líder do Cidadãos na Catalunha, Inés Arrimadas, reduziu ainda mais a possibilidade de um acordo com Sánchez.

"Temos à frente de Moncloa (sede do chefe de Governo) um perigo público, uma pessoa capaz de fazer qualquer coisa", disse a deputada, antes de prometer: "Vamos liderar a oposição".


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