Publicidade

Estado de Minas

Relatório de procurador especial é ambíguo sobre Trump


postado em 18/04/2019 14:55

O procurador especial Robert Mueller, encarregado da investigação sobre o "Russiagate", disse não estar "em condições" de isentar o presidente americano, Donald Trump, das suspeitas de obstrução de Justiça, em seu relatório divulgado nesta quinta-feira (18).

"Se tivéssemos certeza, após uma investigação rigorosa, de que o presidente não cometeu, claramente, obstrução de Justiça, nós diríamos. Com base nos fatos e nos padrões legais aplicáveis, não estamos em condição de fazer essa avaliação", escreve o procurador Robert Mueller.

Segundo o texto, Trump tentou destituir Mueller da investigação sobre a suspeita de ingerência russa nas eleições de 2016.

Os esforços de Trump para tirar Mueller se deram depois que a imprensa publicou informações de que o presidente estava sob investigação por obstrução de Justiça, indicou o relatório.

De acordo com o informe, em 17 de junho de 2017 Trump telefonou para seu assessor Don McGahn e lhe disse que "ligasse para o vice-procurador-geral e que dissesse que o procurador especial tinha conflitos de interesse e deveria ser destituído".

O documento relata ainda que a equipe de campanha do magnata nova-iorquino se reuniu em 9 de junho de 2016 com advogados russos, com a esperança de conseguir material para melhorar suas perspectivas nas eleições.

"As comunicações escritas para programar o encontro mostram que a campanha esperava receber informação da Rússia que pudesse alavancar as perspectivas eleitorais do candidato Trump", aponta o informe, acrescentando que a reunião realizada na Trump Tower não teve resultado concreto.

- Trump comemora -

O relatório foi divulgado hoje pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com vários trechos censurados para, segundo o governo, proteger dados confidenciais.

Com mais de 400 páginas, o documento foi editado pelo procurador-geral dos EUA, Bill Barr, para proteger as investigações, assim como as fontes.

"O informe do procurador especial afirma que a investigação não estabeleceu que membros da campanha conspiraram, ou estiveram em coordenação com o governo russo em suas atividades de interferência nas eleições", disse Barr mais cedo, em entrevista coletiva.

Barr afirmou que Trump não agiu para impedir a investigação de Mueller, em meio a acusações de obstrução de Justiça.

"Há provas substanciais que mostram que o presidente estava frustrado e irritado com a convicção de que a investigação estava afetando sua presidência, que era promovida por seus opositores e que foi alimentada por vazamentos ilegais", disse Barr antes da publicação do relatório de Mueller.

O procurador-geral ressaltou que a Casa Branca "cooperou" plenamente com a investigação especial.

"O presidente não tomou qualquer ação que privasse o procurador especial de documentos, ou das testemunhas necessárias para completar sua investigação", declarou Barr.

O secretário afirmou ainda que os advogados do presidente americano tiveram acesso a uma versão editada do informe de Mueller, antes de sua divulgação nesta quinta.

A Casa Branca não fez nenhuma mudança no relatório, nem exerceu o privilégio do Executivo de proteger informação, completou o procurador-geral.

O presidente Trump comemorou a divulgação do documento, afirmando, mais uma vez, que a investigação foi "uma fraude".

"Game Over", tuitou Trump, com uma imagem, na qual aparece de costas, cercado de névoa, imitando o estilo da popular série "Game of Thrones".

"Hoje estou tendo um dia bom", disse Trump, depois que o Departamento de Justiça publicou o relatório, fruto de uma investigação de 22 meses.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade