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Estado de Minas

Netanyahu e Gantz, ombro a ombro nas eleições em Israel


postado em 09/04/2019 18:39

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seu principal adversário, Benny Gantz, aparecem empatados nas pesquisas divulgadas após o fechamento das seções de votação para as legislativas israelenses, embora o premiê esteja em situação de vantagem para formar uma coalizão de governo.

Estes dados publicados pelos três principais canais de televisão devem ser vistos com cautela, uma vez que em as pesquisas já foram desmentidas por resultados oficiais, como foi o caso nas eleições legislativas de 2015.

Prova de que a corrida para liderar o governo ainda estava em aberto, é que os dois principais adversários reivindicaram uma vitória "clara".

Segundo as pesquisas de boca de urna, o Likud de Netanyahu tinha entre 33 e 36 assentos no Parlamento, enquanto o Azul e Branco de Gantz, 36-37. Entretanto, o número de assentos dos partidos com os quais Netanyahu poderia formar uma coalizão é muito maior do que o de Gantz, de acordo com duas das pesquisas.

Ambos estão longe da maioria absoluta (61 de 120 assentos) e terão que se aliar a outros partidos para governar.

"O bloco de direita, liderado pelo Likud obteve uma clara vitória", disse Netanyahu, citando a formação de um governo pela noite. Por outro lado, seu adversário Benny Gantz proclamou: "Ganhamos!", e afirmou que "estas eleições têm um claro vencedor e um claro perdedor".

Antes dessas declarações, Netanyahu aparecia mais bem posicionado para formar um governo de coalizão, segundo pesquisas de opinião, mas os resultados finais ainda não estão claros e os primeiros boletins oficiais são aguardados para depois da meia-noite (a partir das 18h de Brasília).

Mais de 6,3 milhões de eleitores foram às urnas nesta terça-feira para escolher os 120 deputados que os representarão na Knesset (Parlamento israelense). Até as 16H00 locais (10H00 de Brasília), a participação dos eleitores estava em 42,8%, bem menor que os 45,4% de 2015.

Com os resultados confirmados, um período de intensas negociações para formar um governo de coalizão será aberto nos próximos dias.

Cabe ao presidente Reuven Rivlin considerar, à luz das recomendações dos partidos do Knesset, qual formação ele indicará para tentar formar o governo.

Benjamin Netanyahu, que passou 13 anos no cargo de primeiro-ministro, está buscando um quinto mandato que lhe permitirá estabelecer um recorde de longevidade no poder.

O general Gantz, de 59 anos, ex-paraquedista, carrega a experiência como comandante de uma unidade de forças especiais e de ex-chefe do estado-maior das forças de Defesa. Há seis meses, ele não era sequer identificado como político em Israel.

"Bibi esteve no poder por muito tempo", disse Ronit Kampf, um professor universitário de 45 anos, que votou em Jerusalém e se referiu a Netanyahu pelo apelido.

"Haverá uma grande mudança, que eu não sei qual será exatamente, mas haverá uma mudança".

Manobras para vencer

Sem diferenças significativas nos programas do governo entre os dois candidatos, a campanha se tornou um plebiscito sobre a pessoa de Netanyahu, adorada e detestada.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, expressou nesta terça-feira seu desejo de que essas eleições tragam a paz e disse estar preparado para retomar as negociações se o direito internacional for respeitado. Mas, diante dos dados, os resultados que dão vantagem a Netanyahu, o negociador palestino Saeb Erekat disse que os israelenses disseram nas urnas "não à paz".

"Os israelenses votaram para manter o statu quo. Disseram 'não' à paz e 'sim' à ocupação", avaliou Saeb Erekat em um comunicado.

Gantz considera que esta eleição é fundamentalmente sobre o fim de anos de divisões e corrupção corporificados pelo primeiro-ministro.

Netanyahu, por outro lado, garante que ninguém é melhor preparado do que ele para garantir a segurança e a prosperidade do país.

Em fevereiro, o procurador-geral anunciou a intenção de denunciar formalmente Netanyahu por corrupção, fraude e quebra de confiança, e as pesquisas começaram a oscilar.

Refletindo o clima de hostilidade na campanha, o principal partido árabe em Israel apresentou uma queixa na comissão eleitoral depois que militantes do Likud, o partido do primeiro-ministro, foram flagrados com câmeras nas seções eleitorais dos setores de maioria árabe. O partido árabe garante que isso foi feito para intimidar os eleitores e o Likud respondeu que o fez para evitar fraudes.

Os árabes israelenses são os descendentes dos palestinos que ficaram em suas terras após a criação de Israel em 1948.

Aproximação com Trump

Os israelenses consideram que Trump ofereceu a Netanyahu um "presente" espetacular durante a campanha eleitoral, reconhecendo a soberania israelense sobre as Colinas de Golã, anexadas da Síria.

Netanyahu mencionou sempre que pôde sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos.

Ele alimentou ainda mais a polêmica, ao afirmar, desafiando um amplo consenso internacional, que está preparado para anexar assentamentos israelenses na Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel por meio século.

Líder de um governo considerado o mais direitista da história de Israel, Netanyahu parece pronto para assumir a liderança em uma coalizão ainda mais radical.


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