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Estado de Minas

Opositores venezuelanos exigem que militares não bloqueiem ajuda


postado em 12/02/2019 15:08

Liderados por Juan Guaidó, reconhecido por quase 50 países como presidente interino da Venezuela, dezenas de milhares de opositores saíram às ruas nesta terça-feira para pedir às Forças Armadas que não bloqueiem a ajuda humanitária americana, considerada pelo presidente Nicolás Maduro a porta de entrada para uma intervenção militar.

"Voltamos às ruas para exigir a entrada da ajuda humanitária que salvará a vida de mais de 300.000 venezuelanos que hoje estão em risco de morte", afirmou Guaidó, presidente do Congresso de maioria opositora.

Aos gritos de "liberdade" e "Guaidó", os opositores protestavam em todo o país. Em Caracas, reuniram-se na zona leste, onde Guaidó vai discursar.

As mobilizações coincidem com o Dia da Juventude, para recordar os quase 40 mortos nos distúrbios e marchas contra Maduro em janeiro.

Em contrapartida, Maduro vai comandar uma passeata de jovens de esquerda contra a "intervenção imperialista" na Praça Bolívar, centro de Caracas, onde o governo reúne assinaturas de repúdio ao presidente americano Donald Trump.

A disputa de poder entre Guaidó e Maduro se concentra esta semana na ajuda humanitária. Alimentos e remédios permanecem há cinco dias em um depósito no lado colombiano da fronteira com a Venezuela.

Dois enormes contêineres e um caminhão bloqueiam a ponte Tienditas, que liga Cúcuta (Colômbia) a Ureña (Venezuela). Os militares venezuelanos reforçaram a presença no estado fronteiriço de Táchira.

A divergência acontece em plena crise econômica, com escassez de remédios e alimentos, em um país afetado pela hiperinflação. Quase 2,3 milhões de venezuelanos (7% da população) fugiram do país desde 2015, segundo a ONU.

Em uma tentativa de convencer as Forças Armadas, base de apoio do governo, Guaidó ofereceu anistia aos militares que não reconhecerem Maduro e advertiu que impedir a entrada de alimentos e medicamentos é um "crime contra a humanidade".

"Ou estão com a ditadura ou com o povo", disse o opositor, de 35 anos, antes de afirmar que 120.000 voluntários se registraram para colaborar no processo.

Maduro, que chama de "show político" a chegada de ajuda, nega uma "emergência humanitária" e atribui a falta de medicamentos e alimentos a uma "guerra econômica" da direita e a duras sanções americanas.

Em entrevista à CNN, Maduro disse que a escassez de alimentos e medicamentos está sendo usada por Washington e pela oposição para dizer que em seu país há uma crise humanitária e, assim, justificar uma intervenção militar.

Ele, no entanto, descartou o confronto entre suas tropas e os voluntários - cerca de 120.000 segundo Guaidó - que se inscreveram para ajudar na distribuição de ajuda. "Não haverá repressão", garantiu Maduro.

Além disso, assegurou que as reservas de ouro que seu país tem depositadas na Inglaterra chegam a 80 toneladas, e que acredita que as mesmas não serão confiscadas.

Com sérios problemas de liquidez agravados pelo colapso da produção de petróleo e sanções americanas, o governo venezuelano vem tentando repatriar suas reservas internacionais de ouro em Londres há meses.

"Espero que a legalidade internacional e o Banco Central da Venezuela sejam respeitados. Espero que a justiça prevaleça e que a Venezuela não seja expropriada de algo que lhe pertence", afirmou o líder socialista.

A Colômbia foi o primeiro ponto de chegada da doação americana. O Brasil aceitou na segunda-feira instalar outro centro de ajuda no estado de Roraima.

Nos últimos dias, o governo distribuiu alimentos e remédios na região de fronteira com a Colômbia.

As Forças Armadas, que também chamam a ajuda de "show", organizam esta semana exercícios militares ante uma eventual ação armada dos Estados Unidos, não descartada por Trump.

Uma conferência sobre ajuda humanitária, solicitada por Guaidó, acontecerá na quinta-feira na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Nesta ocasião, Guaidó vai se pronunciar. Cerca de 60 delegações internacionais, representantes do setor privado e dezenas de ONGs e membros da sociedade civil foram convocados para a conferência.

"O presidente interino participará por videoconferência e explicará qual é a situação atual", indicou um comunicado do opositor.

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