Um coronel do Exército da Venezuela manifestou neste domingo, 10, seu apoio ao opositor Juan Guaidó, reconhecido por cerca de 50 países como presidente interino. O oficial Rubén Alberto Paz Jiménez exortou seus companheiros de armas a permitir a entrada da ajuda humanitária que começou a chegar à cidade fronteiriça de Cúcuta, na Colômbia, que Nicolás Maduro está bloqueando.
Paz Jiménez disse em um vídeo "desconhecer Maduro como presidente e reconhecer" Guaidó "como presidente interino e comandante-chefe das Forças Armadas". Paz Jiménez afirmou que, referindo-se a Maduro e à cúpula do governo, "90% das Forças Armadas estão insatisfeitas, estamos sendo usados para mantê-los no poder". O episódio evidencia a divisão no apoio a Maduro, apesar de a cúpula das Forças Armadas ter declarado lealdade ao presidente socialista.
Desde a semana passada militares venezuelanos bloquearam o acesso à ponte internacional Las Tienditas, perto do centro de coleta da ajuda internacional, em Cúcuta.
Paz Jiménez pediu aos colegas de farda que reajam, diante da escassez de remédios e alimentos. "Como médico, reconheço a problemática sanitária que o país vive. Peço a todos os integrantes das Forças Armadas (que) permitam a entrada de ajuda humanitária", insistiu. A ONG Controle Cidadão calcula que cerca de 180 militares foram detidos em 2018, acusados de conspirar, e pelo menos 10 mil membros das Forças Armadas pediram baixa desde 2015.
Guaidó advertiu neste domingo aos militares que o bloqueio de ajuda é considerado um "crime de lesa-humanidade" e os responsáveis serão considerados "quase genocidas" por impedir a distribuição de comida e remédios.
Guaidó também anunciou que centenas de pessoas se apresentaram voluntariamente para ajudar na "distribuição de ajuda", que deve começar "nos próximos dias" e logo "chegarão mais carregamentos de alimentos e remédios ao Brasil", para cuja fronteira Maduro também enviou soldados. Guaidó ainda denunciou que a avó de sua mulher foi ameaçada pelos "coletivos", grupos paramilitares chavistas.
Os Pemon, povo indígena que vive na fronteira com o Brasil, estão determinados a permitir a entrada de qualquer ajuda que chegue à Venezuela, mesmo que isso signifique bater de frente com as forças de segurança venezuelanas e o governo. Seis líderes da comunidade Pemon que vive no município de Grand Sabana, na fronteira com o Brasil, disseram que a população em necessidade deve ignorar qualquer politização da ajuda humanitária. "Estamos fisicamente preparados - sem armas - e dispostos a abrir a fronteira para receber a ajuda", disse o prefeito de Gran Sabana, Emilio Gonzáles. As comunidades indígenas gozam de autonomia na Venezuela.
Um grupo de médicos venezuelanos cruzou neste domingo a fronteira com a Colômbia para protestar contra o bloqueio da ajuda e denunciar o péssimo sistema de saúde da Venezuela.
PDVSA
Para tentar driblar as sanções que os EUA impuseram no dia 28 com o objetivo de impedir o regime de ter acesso à receita da venda de petróleo, a estatal PDVSA instruiu os presidentes de joint ventures da qual faz parte a depositar os recursos recebidos da exportação de petróleo em uma conta recentemente aberta no banco russo Gazprombank AO, revelaram fontes. (Com agências internacionais).
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo..