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Estado de Minas

Estado Islâmico deixou mais de 200 fossas comuns no Iraque


postado em 06/11/2018 09:37

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) deixou mais de 200 fossas comuns com cerca de 12.000 corpos nas províncias do Iraque sob seu controle entre 2014 e 2017, anunciou a ONU nesta terça-feira, advertindo que "podem haver muitas mais".

Em seu relatório, a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque e o Escritório de Direitos Humanos da ONU pedem às autoridades iraquianas que preservem esses lugares para poder obter provas dos crimes e dar respostas às famílias dos desaparecidos.

As autoridades exumaram somente 1.258 corpos em 28 das fossas, que foram encontradas nas províncias de Nínive, Kirkuk e Saladino, no norte do Iraque, assim como em Al Anbar, no oeste, afirma a ONU.

O número de corpos nas fossas oscila entre vários e milhares, como pode ser o caso de uma cova natural no sul de Mossul, a antiga "capital" do EI no norte do Iraque, chamada "Khasfa" (precipício em árabe) onde, segundo os moradores, os extremistas executavam diariamente dezenas de iraquianos, sobretudo a membros das forças de segurança.

Quase um ano depois de o Iraque proclamar a "vitória" frente ao EI, "as provas reunidas nesses lugares serão essenciais", estima o relatório que pede proteção desses locais e que as exumações sejam feitas de acordo com as normas.

Somente esses elementos - acrescenta - poderão "garantir investigações concretas, julgamentos e condenações de acordo com os padrões internacionais". Os investigadores da ONU começaram a coletar provas.

Segundo o relatório, ao longo de três anos, os extremistas cometeram "violações sistemáticas dos direitos humanos e do direito humanitário - alguns atos que podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e um possível genocídio".

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos ressaltou que "embora os crimes horríveis do EI já não estejam mais nas manchetes, o trauma das famílias das vítimas continua existindo e o destino de milhares de mulheres, homens e crianças é desconhecido".

"Determinar as circunstâncias desse numerosos mortos será uma etapa importante no processo de luto das famílias e na corrida para garantir o direito à verdade e à justiça", afirmou o representante especial da ONU no Iraque, Jan Kubis.

Segundo o relatório, as famílias de desaparecidos devem se dirigir a cinco administrações distintas, "um processo que toma muito tempo e é frustrante".

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