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Estado de Minas

Zona do euro pede para Roma aproveitar aceno de Bruxelas


postado em 05/11/2018 21:41

Os ministros de Finanças da zona do euro pediram, nesta segunda-feira (5), para Roma aproveitar a "mão estendida" da Comissão Europeia, que pediu uma revisão de seu orçamento de 2019, sob pena de enfrentar as "consequências".

"Compartilhamos a avaliação da Comissão Europeia" e "esperamos que a Itália [...] coopere estreitamente com [ela] na elaboração de um plano orçamentário revisto", escreveram os ministros em um comunicado.

O orçamento "não muda", respondeu, ao fim da reunião, o ministro italiano das Finanças, Giovanni Tria, que prometeu, ao contrário, "um diálogo construtivo na Comissão".

"Não há nem compromisso, nem conflito" com Bruxelas, ressaltou.

Os ministros das Finanças dos 19 países que adotaram a moeda única (Eurogrupo) se reuniram na capital belga pela primeira vez desde que a Comissão rejeitou, em 23 de outubro, o projeto orçamentário italiano.

A Comissão avaliou que houve um "claro desvio" das regras europeias e tem em vista especialmente a meta de déficit de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), bem acima do 0,8% acordado com o governo italiano anterior, de centro-esquerda.

O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, destacou nesta segunda sua disposição de "dialogar" com Roma, embora tenha afirmado não se tratar de uma negociação. "As regras são as regras", acrescentou.

O governo atual da Itália, composto por extrema direita e antissistemas, tem até 13 de novembro para apresentar um projeto revisado. Se não modificá-lo, corre o risco de se expor a um "procedimento por déficit excessivo" e de sanções de longo prazo.

"O governo italiano deve aproveitar a mão estendida", afirmou o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, ao chegar à reunião do Eurogrupo.

Uma fonte italiana assegurou que Roma responderia antes da data-limite. "Queremos tentar encontrar uma solução", afirmou esta fonte. Mas "por enquanto, não a temos".

Para o ministro eslovaco de Finanças, Peter Kazimir, se um país diz que "as regras não lhe interessam, deve haver consequências".

"Eu não acredito que chegaremos a sanções", disse Luigi di Maio, um dos vice-presidentes do governo italiano, ao Financial Times nesta segunda-feira, para quem "o procedimento será aberto, mas haverá uma fase de diálogo".

Para o político do Movimento 5 Estrelas, o orçamento expansionista poderia "reduzir" consideravelmente a importante dívida pública italiana, em 131% do PIB, e até representar um modelo a ser seguido, se funcionar.

O chefe de Estado italiano, Sergio Mattarella, cuja função é acima de tudo simbólica, apesar de sua autoridade ser respeitada, pediu ao governo que "realize um diálogo construtivo com as instituições europeias".

"Nunca mais uma Itália está de joelhos", disse o vice-presidente do governo italiano, o esquerdista Matteo Salvini, que convocou uma manifestação em 8 de dezembro em Roma contra os "senhores de Bruxelas".

Os recentes dados socioeconômicos aumentam a pressão sobre a terceira economia da zona do euro, onde o desemprego avançou para 10,1% em setembro e cuja economia estagnou no terceiro trimestre pela primeira vez em três anos.

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