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Estado de Minas

A participação, batalha decisiva na véspera de eleições nos EUA


postado em 05/11/2018 17:24

Celebridades, líderes empresariais, aplicativos para smartphones: todo mundo, ou quase, encoraja os eleitores americanos a votar nesta terça-feira (6) nas eleições de meio de mandato, cujo resultado será determinante para o que resta da presidência de Donald Trump.

Na quinta-feira, a estrela da televisão Oprah Winfrey foi a última celebridade a se mobilizar pela oposição democrata. A apresentadora fez uma ação porta a porta nos subúrbios de Atlanta, na Geórgia, para pedir o voto para Stacey Abrams, que aspira ao governo desse estado tradicionalmente republicano.

Atrizes como Julianne Moore, Jodie Foster, Ellen Pompeo e a cantora Cher também fizeram um chamado para votar em um vídeo produzido pelo empresário Michael Bloomberg.

Desde grandes marcas de vestuário como Gap e Levi's até lojas do Walmart e plataformas de transporte como Lyft e Uber tomaram medidas para estimular os americanos a cumprirem com o seu dever cívico. Alguns darão o dia livre para os seus funcionários. Lyft e Uber oferecerão descontos durante o dia da votação.

E segundo cifras compiladas no sábado pelo especialista Michael McDonald, este trabalho está rendendo frutos: ao menos 34 milhões de americanos votaram antecipadamente, pessoalmente ou por correspondência, número muito superior ao das eleições de meio de mandato de 2014, nas quais 27 milhões de pessoas votaram de forma antecipada.

Os jovens, com uma participação particularmente baixa, parecem motivados: serviços de streaming de música como Spotify e Pandora oferecem playlists com links que permitem os ouvintes se registrarem nas listas eleitorais, ou identificarem as suas seções de votação.

O aplicativo de encontro Tinder também envia mensagens aos seus usuários pedindo que vão às urnas, algo que já fez nas presidenciais de 2016.

Embora estas convocações não mencionem nem Donald Trump nem candidatos específicos, geralmente são iniciativas democratas, explicou Thomas Patterson, professor de Ciência Política do Instituto Kennedy da Universidade de Harvard.

- O peso dos acontecimentos -

Diferentemente dos eleitores republicanos "relativamente estáveis", as minorias e os jovens, que se inclinam ao Partido Democrata, são menos regulares "e reagem mais às circunstâncias do momento", considerou o especialista.

As eleições de meio de mandato são tradicionalmente marcadas por uma forte abstenção: em 2014, a participação nacional não superou os 37%, o nível mais baixo desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas, este ano, a polarização do clima político deve influenciar a participação. Patterson e outros especialistas esperam que supere os 40%, e alguns preveem que possa chegar aos 50%.

Essas eleições, realizadas entre duas presidenciais para renovar o Congresso e as autoridades locais, raramente decidem - como em 1934, após o lançamento do "New Deal" pelo presidente Franklin Roosevelt - temas nacionais.

Mas "este ano as pessoas estão pensando mais no que acontece em Washington e na presidência. São os pró-Trump contra os anti-Trump", declarou Patterson.

Acontecimentos recentes podem ter um efeito mobilizador nos eleitores democratas apáticos, como o envio de pacotes explosivos a personalidades democratas por um fanático de Trump, ou a polêmica resposta do presidente ao ataque contra uma sinagoga em Pittsburgh que deixou 11 mortos.

E, ao contrário, a caravana de milhares de migrantes centro-americanos que se dirige aos Estados Unidos, e que Trump denuncia em seus discursos, poderia dinamizar os republicanos, já mobilizados na batalha pela nomeação do juiz conservador Brett Kavanaugh, acusado de agressão sexual, à Suprema Corte.

Mas os efeitos da atualidade sobre os eleitores são "difíceis de prever" e potencialmente efêmeros, disse Patterson.

Por exemplo, o ataque a tiros que matou 17 pessoas em fevereiro em uma escola de Parkland, na Flórida, desencadeou um enorme movimento estudantil que fez campanha para colocar os jovens nas listas eleitorais, mas "seus efeitos se dissiparam este verão", lembrou o analista.

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