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Estado de Minas

Mercado do petróleo e Riad atentos a sanções dos EUA contra Irã


postado em 05/11/2018 13:01

As sanções dos Estados Unidos contra os importadores de petróleo iraniano podem desestabilizar um mercado em precário equilíbrio e provocar uma alta dos preços, sob o olhar atento da Arábia Saudita.

Nas próximas semanas, o mercado irá se centrar completamente nas exportações do Irã, na questão de saber se o país faz armadilhas ou se a produção decai", considera Riccardo Fabiani, analista da Energy Aspects, entrevistado pela AFP.

- Irã, ator-chave do mercado -

A partir de segunda-feira (5), os Estados Unidos sancionarão os compradores de petróleo iraniano para privar Teerã de sua principal fonte de renda.

O petróleo é crucial para a economia iraniana, mas esse país, terceiro maior produtor da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), também é um dos pilares do mercado mundial.

Em abril, exportou o equivalente a 2,5 milhões de barris por dia.

"Inclusive se os Estados Unidos acordarem isenções, Washington pedirá que o volume importado do Irã diminua consideravelmente", assinala Giovanni Staunovo, analista da UBS que prevê, portanto, uma alta dos preços.

- Incógnita das isenções -

Contudo, os preços do petróleo diminuíram quase 15 dólares em menos de um mês, após ter alcançado no início de outubro seu nível mais alto em dois anos e meio, com o barril de Brent a mais de 85 dólares.

Uma parte da explicação está na postura ambígua dos Estados Unidos, que, após ter afirmado que o objetivo das sanções era reduzir as exportações a zero barril, suavizou sua posição.

A administração americana acordou isenções a oito países, anunciou na sexta-feira o chefe da diplomacia, Mike Pompeo, sem citar quais.

Os analistas consideravam que a Índia, um dos principais importadores mundiais, estaria na lista.

"A Índia explicou aos Estados Unidos que não pode cessar suas importações antes de março, em um momento em que enfrenta uma grave crise monetária" que afunda o seu poder aquisitivo, afirma Joel Hancock, analista da Natixis. O petróleo iraniano é mais barato e melhor adaptado às refinarias indianas.

A alta do preço do barril e, portanto, da gasolina, tem um efeito negativo no moral dos americanos.

"Se os preços voltarem a subir, ou se outro grande produtor enfrentar dificuldades, poderia pressionar os Estados Unidos e fazer com que emita novas isenções", julga Fabiani.

- Incerta produção saudita -

Os outros grandes países produtores de petróleo deverão fazer um esforço para bombear mais e compensar a redução do petróleo iraniano. Mas, ao fazê-lo, poderiam diminuir sua capacidade de reação no futuro, no caso de começar uma nova crise.

A Arábia Saudita, primeiro exportador mundial, afirmou poder responder à redução iraniano, mas alguns atores do mercado temem que o reino esteja esgotando suas capacidades de reserva.

"A Arábia Saudita pode produzir 12 milhões de barris por dia, mas sob condição de investimento", considera Hancock.

Segundo o analista, no momento Riad apenas conta com 300.000 barris diários de capacidade de reserva, ou seja, cuja extração pode ser lançada em menos de 30 dias.

"Todo mundo fala da Arábia Saudita, mas a produção do país ficou estável, por volta de 10 milhões de barris diários", destaca Samir Madani, analista da Tanker Trackers.

"A verdadeira alta (nas exportações) vem do Iraque, que exporta 4,2 milhões de barris por dia, volume nunca visto antes", acrescenta.

Na sua opinião, os Estados Unidos, prestes a se tornar o primeiro produtor mundial graças às suas exportações de petróleo de xisto, pode responder a uma parte da demanda, mas não tem capacidade de exportação.

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