Publicidade

Estado de Minas

Eleições nos EUA: campanha de porta em porta e um celular na mão


postado em 03/11/2018 08:48

Cem portas em duas horas: esse é o ritmo que John Lombardo tenta manter quando aperta a campainha das casas dos eleitores que moram em Wilkes-Barre, seu distrito eleitoral no nordeste da Pensilvânia.

Mesmo na era dos smartphones, o ritual de porta em porta continua sendo essencial para a mobilização dos eleitores americanos.

Lombardo, um voluntário republicano de 25 anos de idade, caminha rapidamente, de uma casa para outra, nesta área residencial nos arredores de Wilkes-Barre.

O tempo está bom, as casas estão iluminadas e enfeitadas com abóboras, bruxas e outras decorações tradicionais de Halloween. Mas a maior parte do tempo as portas permanecem fechadas.

"Não podemos desanimar", diz o jovem, que tem dois empregos, é paramédico e bombeiro. "Fazer contato pessoal é a parte mais importante da nossa tarefa", garante.

Wilkes-Barre é uma área de mineração de carvão tradicionalmente democrata, mas em novembro de 2016, 58% dos habitantes votaram em Trump, que visitou o local três vezes desde sua vitória.

O objetivo dos republicanos agora é motivar os "trumpistas" para as eleições de 6 de novembro e, assim, empurrar seus candidatos John Chrin e Dan Meuser para a Câmara dos Deputados e Lou Barletta para o Senado, embora este último tenha poucas possibilidades frente ao democrata Bob Casey.

Lombardo é guiado por um aplicativo que diz quais casas visitar e classifica seus moradores em republicanos ou democratas "radicais" ou "moderados", de acordo com um algoritmo definido nacionalmente.

A classificação é mais ou menos eficaz de acordo com os dados disponíveis, segundo Lombardo: alguém que vota nos democratas por 10 anos será classificado como "democrata moderado" se tiver um veículo 4x4 e trabalhar nos setores de carvão ou gás, que Donald Trump prometeu se desenvolver, apesar de sua contribuição para o aquecimento global.

Uma vez que finaliza a visita, alguns poucos cliques são suficientes para registrar no aplicativo a informação recopilada e voltar à sede do partido.

- "Medo de abrir a porta" -

Um em cada dez moradores, em média, abre a porta. Mas Lombardo geralmente só tem tempo de se apresentar antes que a porta se feche novamente. "Não é como nos anos 70", diz ele. "Hoje as pessoas têm medo de abrir sua casa para alguém que não conhecem".

Mas vale a pena. Na eleição presidencial de 2016, Lombardo e sua equipe chegaram a bater em 50.000 portas, um esforço que, segundo ele, ajudou a fazer a região conhecer Trump e, com isso, toda a Pensilvânia.

"Todos os estudos mostram que o contato direto com o eleitor aumenta a probabilidade dele votar", afirma Thomas Baldino, professor de ciência política da Universidade Wilkes.

Para as eleições de meio de mandato, que tradicionalmente têm baixa participação a ponto de, em 2014, apenas 41% dos moradores da Pensilvânia terem ido votar, este trabalho de formiguinha é essencial, explica ele, e o resultado da eleição dependerá da capacidade de ambas as partes em mobilizar seus eleitores.

Porque nesta região, onde 90% da população é branca e muito católica, o resultado da votação resulta de um coquetel volátil: é bastante democrático em relação à proteção social, conservador em questões sociais e preocupado com a imigração hispânica, explica Thomas Baldino.

A inesperada vitória de Trump em 2016 veio da mobilização de "pessoas que não votavam há anos", diz o professor.

O desafio, agora, no lado republicano, é manter esse entusiasmo por Trump, com a esperança de que isso beneficie os candidatos locais.

- Vota, eleitor -

Este é o objetivo de Jess Morgan, 69 anos, outra voluntária republicana local, que vai de porta em porta três vezes por semana. A dinâmica aposentada diz "reconhecer diretamente" os benefícios da política econômica de Trump através dos negócios de seu filho, que começou a contratar pessoas novamente.

Apesar da baixa taxa de resposta, Jess Morgan está entusiasmada, especialmente quando fala sobre os cerca de 50 eleitores democratas que ela diz ter convencido a votar nos republicanos nas últimas semanas.

"Dia após dia, semana após semana, acontecem coisas que mudam a mente das pessoas", diz ela.

Como a coluna de migrantes que atualmente caminha de Honduras para os Estados Unidos, alimentando o já forte medo da imigração na região após a chegada dos hispânicos em Hazleton, a segunda maior cidade do país, onde eles representam 46% da população, comparado com 5% em 2000.

"Quando você tem uma pessoa que diz que sempre foi um democrata, mas vai votar como republicano este ano, você sente uma descarga de adrenalina", conclui, com um sorriso.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade