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Estado de Minas

Medo de imigrantes e economia no auge, temas centrais da campanha de Trump


postado em 02/11/2018 19:45

Com quatro dias para tentar manter o controle do Partido Republicano no Congresso, e o próprio domínio sobre a política dos Estados Unidos, Donald Trump usou suas duas armas principais de campanha nesta sexta-feira (2): se gabou da economia no auge e alarmou seus partidários sobre a imigração.

Estima-se que os democratas obtenham a maioria na Câmara de Representantes nas eleições de meio de mandato, que acontecerão na terça-feira (6), ameaçando Trump com o espectro de uma oposição que, finalmente, poderá bloquear as suas políticas e averiguar suas finanças pessoais, altamente questionadas.

Mas o presidente, que levou para a Casa Branca uma marca sem precedentes de populismo e política de confronto, claramente aproveita essas disputas.

Nesta sexta-feira, foi para West Virginia e Indiana para organizar comícios, menos de 24 horas depois de voltar de outro ato no Missouri. No dia anterior esteve na Flórida.

O ritmo frenético de suas viagens por todo o país continuará até segunda-feira.

E os dados sobre emprego positivos revelados nesta sexta dão a Trump uma oportunidade de ouro para argumentar o que chama diariamente de a "economia mais aquecida" do mundo.

"Uau! Os Estados Unidos acrescentaram 250 mil empregos em outubro, e isso aconteceu apesar dos furacões", anunciou Trump em um tuíte. "Desemprego em 3,7%. Os salários sobem! Esses números são incríveis! Siga em frente, vote nos republicanos!".

Outra boa notícia para Trump, e sua tentativa de divulgar esse elusivo fato do sentimento dos eleitores, é que os salários parecem estar se fortalecendo, sinal de que as pessoas podem estar aproveitando o crescimento econômico.

Menos de uma semana após o atentado contra uma sinagoga, que deixou 11 mortos, o presidente americano acusou os meios de comunicação que divulgam "fake news" (notícias falsas) de gerar "violência" no país.

"Vocês criam violência com suas perguntas", disse Trump a um jornalista que tentou associar a retórica do presidente ao atual ambiente político pesado nos Estados Unidos.

"Se a mídia se comportasse de maneira correta, precisa e justa teríamos muito menos violência".

- Terra queimada -

Mas se, por um lado, o presidente promove os Estados Unidos como uma terra abundante, com empregos para todos, por outro, está fazendo todo o possível para despertar medo e ódio.

E mesmo quando a imigração ilegal diminui a um quarto do que era em 2000, Trump afirma que o país enfrenta, literalmente, "uma invasão" de centro-americanos.

Ele ordenou o envio de tropas do Exército à fronteira entre Estados Unidos e México, anunciou "cidades de tendas de campanha" para a detenção de pessoas que pedirem refúgio político e pediu poder para anular o direito à cidadania de qualquer pessoa nascida em território americano filha de imigrantes em situação ilegal, direito até agora considerado protegido pela Constituição.

Ao se referir a um grupo de milhares de centro-americanos pobres que atualmente tentam chegar à pé aos Estados Unidos pelo México, Trump diz que a nação poderia ser "devastada" por essa situação.

Na quinta-feira, disse na Casa Branca que os soldados disparariam contra os migrantes se estes lançassem pedras contra eles.

Horas depois, no comício no Missouri, descreveu um estranho e hipotético cenário de um ditador "que odiamos e que está contra nós", que vem para os Estados Unidos com sua esposa para "ter um bebê em solo americano".

Mais tarde, Trump se retratou de suas afirmações e declarou que "não disse atirar. Não terão que atirar. O que não quero é que esta gente lance pedras" nos militares na fronteira.

O presidente ainda declarou a jornalistas na Casa Branca que os emigrantes que lançarem pedras ou solicitarem o status de refugiado na fronteira sul a partir de agora "ficarão detidos por muito tempo".

Talvez superando seus outros esforços, esta semana Trump tuitou um anúncio de campanha protagonizado pelo vídeo de um imigrante mexicano em situação ilegal da vida real, chamado Luis Bracamontes, que matou dois policiais na Califórnia em 2014 e depois ironizou os assassinatos no tribunal.

A propaganda, que busca destacar o argumento repetido por Trump de que os democratas estimulam os criminosos que estão dentro do país, afirma que foram os democratas que deixaram Bracamontes entrar e "o deixaram ficar".

O jornal Sacramento Bee, da Califórnia, informou, contudo, que os registros mostram que o assassino dos policiais foi deportado antes de voltar a se esconder no país, durante a Presidência do republicano George W. Bush.

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