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Estado de Minas

EUA detalha novas sanções contra Irã com algumas exceções para petróleo


postado em 02/11/2018 18:32

Seis meses depois de fechar as portas ao acordo nuclear com o Irã, os Estados Unidos confirmaram nesta sexta-feira (2) que, a partir de segunda-feira, restabelecerão novas sanções contra Teerã, embora ainda persistam dúvidas sobre o objetivo desta campanha americana de "pressão máxima".

O segundo bloco de medidas entrará em vigor apesar de vários protestos de dirigentes iranianos, de aliados europeus de Washington, assim como de China e Rússia. Trata-se de sancionar entidades ou empresas estrangeiras que continuarem comprando petróleo iraniano ou se relacionando com os bancos da república islâmica, impedindo o acesso ao mercado americano.

França, Alemanha, Reino Unido e União Europeia (UE) condenaram essas medidas nesta sexta-feira.

"Lamentamos profundamente a reimposição de sanções por parte dos Estados Unidos devido a sua saída do Plano de Ação Integral Conjunto"(JCPOA), assinalaram em uma declaração comum, fazendo alusão ao acordo nuclear de 2015.

"Nós temos como objetivo proteger os atores econômicos europeus que estão comprometidos nas trocas comerciais legítimas com o Irã", acrescenta o comunicado, assinado pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e pelos ministros das Relações Exteriores de França, Jean-Yves Le Drian, Alemanha, Heiko Mass, e Reino Unido, Jeremy Hunt.

Washington não esconde a sua intenção de reproduzir a estratégia utilizada com a Coreia do Norte, pois seu líder, Kim Jing Un, se comprometeu com a "desnuclearização" depois de uma reunião histórica com Trump, cujo contexto era uma escalada verbal e o reforço das sanções internacionais.

O presidente republicano repete que está disposto a se reunir com dirigentes iranianos.

Desde 24 de outubro, o Departamento de Estado americano publica no Twitter as 12 condições de Washington para um "acordo global" com o Irã.

Entre elas destacam-se restrições mais firmes e duradouras sobre o programa nuclear, assim como o fim da proliferação de mísseis balísticos e de atividades consideradas "desestabilizadoras" de Teerã em países vizinhos.

Para obrigá-lo a cumprir as suas condições, o governo americano pretende impor as sanções "mais fortes da história", pois são esperadas novas medidas punitivas nos próximos meses.

Embora as principais grandes empresas estrangeiras tenham optado por abandonar o Irã, o efeito da proibição de exportar o petróleo iraniano, fonte-chave de renda para Teerã, continua sendo difícil de avaliar.

E a UE está decidida a fazer qualquer coisa para ajudar o Irã a manter alguns benefícios econômicos relacionados a sua adesão ao acordo de 2015, a fim de evitar que o abandone e relance sua corrida nuclear.

Para além do nível de pressão exercida pelos americanos, a incerteza se mantém com relação às suas verdadeiras intenções.

"O presidente parece querer um acordo mais global e melhor com os iranianos, mas tenho a impressão de que a sua equipe de segurança nacional busca desestabilizar o Irã e apoiar uma mudança de regime em Teerã", afirmou à AFP Ali Vaez, do International Crisis Group.

Para Barbara Slavin, do centro de reflexão Atlantic Council, "fazem pressão" porque "não gostam do Irã. E isso é tudo".

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