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Estado de Minas

EUA aumenta pressão contra Venezuela com sanções ao setor do ouro


postado em 01/11/2018 21:03

Os Estados Unidos aumentaram nesta quinta-feira (1) a pressão sobre a Venezuela ao anunciar sanções contra as exportações de ouro, acusando o país de ser, junto com Cuba e Nicarágua, uma "troika da tirania".

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, disse em um discurso em Miami que as novas sanções irão atingir o setor do ouro, que "foi utilizado como um reduto para financiar atividades ilícitas, encher seus cofres e apoiar grupos criminosos".

"Hoje estou muito orgulhoso de compartilhar que o presidente (Donald) Trump assinou um decreto executivo para impor novas e duras sanções contra a Venezuela", declarou o funcionários, a menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

A Casa Branca publicou o decreto nesta quinta. Bolton explicou à imprensa que as sanções entrarão em vigor de forma imediata e que irão supor um peso "insuportável" para o governo venezuelano.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma intervenção na Venezuela, Bolton respondeu: "Não vejo isso acontecendo".

Bolton, que sempre foi considerado um partidário da linha mais dura em política externa, denunciou Cuba, Venezuela e Nicarágua como "a troika da tirania" e disse que o presidente americano irá tomar "ações diretas contra esses três regimes".

Segundo as sanções existentes, nem a Venezuela nem a petroleira estatal Pdvsa podem negociar dívida nos Estados Unidos, o que, na prática, fecha o mercado ao país. As proibições também afetam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sua esposa, vários ministros e líderes chavistas.

"Sob o comando do presidente Trump, os Estados Unidos vão tomar ações diretas contra esses três regimes para defender o império da lei, da liberdade, da decência humana mínima em nossa região", afirmou Bolton no discurso.

O funcionário de alto escalão disse que os Estados Unidos esperam ansiosamente "ver como cada vértice do triângulo cai: em Havana, em Caracas e em Manágua". E acrescentou que quando esse dia chegar, as pessoas da região "terão a certeza de que os Estados Unidos estão com elas contra as forças da opressão, do totalitarismo e da dominação".

Em seu discurso, Bolton disse que a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil e do conservador Iván Duque na Colômbia, que já está no poder, são "sinais positivos para o futuro da região".

- 'Sem mais canais secretos' com Cuba -

Bolton, que falou da Freedom Tower, edifício emblemático no centro de Miami, onde os cubanos chegavam entre os anos 1960 e 1970, também anunciou que os Estados Unidos somaram mais entidades ligadas aos militares cubanos ou com os serviços de Inteligência à lista de empresas com restrições nos Estados Unidos.

"O Departamento de Estado somou duas dezenas de entidades adicionais, que são propriedade ou estão controladas pelos militares cubanos ou pelos serviços de Inteligência, à lista de entidades com as quais as transações financeiras são proibidas para as pessoas nos Estados Unidos", afirmou.

Bolton disse que a medida inclui ações concretas para impedir que dólares americanos cheguem aos militares cubanos, ao setor de segurança e aos serviços de Inteligência.

Seu discurso coincidiu com o momento em que a Assembleia Geral da ONU rejeitou uma tentativa dos Estados Unidos de criticar o histórico dos direitos humanos em Cuba, e condenou pelo 27º ano consecutivo o bloqueio de Washington.

"Neste governo, não haverá mais canais secretos entre Cuba e os Estados Unidos. Nossa política é transparente para que o povo americano e do mundo vejam", acrescentou Bolton em relação ao diálogo iniciado pelo então presidente americano Barack Obama até 2015, acabando com meio século de ruptura diplomática entre os dois países.

Posteriormente, Maduro disse que espera que "um milagre" acabe com as sanções contra Cuba e Venezuela, celebrando nesta quinta o que considerou "a vitória mais saborosa" já obtida pela ilha na ONU contra o bloqueio americano.

Sem mencionar diretamente as sanções impostas pelos Estados Unidos ao seu governo, Maduro declarou que "quem sabe aconteça um milagre" e, "algum dia, o presidente Donald Trump consiga ver como o levam a um beco sem saída" a repetição das "políticas fracassadas contra Cuba, Venezuela e Nicarágua".

O presidente socialista celebrou a votação na ONU de 189 países contra o bloqueio a Havana, em vigor há 56 anos. "Que grande vitória tive neste dia. Felicidades, Cuba!", exclamou Maduro durante um ato transmitido obrigatoriamente por rádio e televisão.

"O presidente Donald Trump deveria abrir os olhos (...) o caminho é o respeito, o diálogo (...) não é o caminho da ameaça, da chantagem, das sanções ilegais, esse não é o caminho da humanidade", afirmou Maduro.

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