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Estado de Minas

Juiz Sérgio Moro aceita ser ministro da Justiça de Bolsonaro


postado em 01/11/2018 20:45

O juiz Sérgio Moro será ministro da Justiça do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que soma assim à sua equipe uma figura emblemática na luta contra a corrupção, que é uma de suas principais bandeiras de campanha. O anúncio foi feito nesta quinta-feira.

Esse ministério vai absorver, também, sob a liderança do magistrado que ganhou fama à frente da Operação Lava Jato, a pasta da Segurança Pública, criada em fevereiro para tentar coordenar os esforços dos estados na luta contra o crime organizado.

"O juiz federal Sérgio Moro aceitou nosso convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua agenda anticorrupção, anticrime organizado, bem como respeito à Constituição e às leis será o nosso norte!", tuitou Bolsonaro.

"A perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão", indicou Moro, de 46 anos, após uma reunião na casa do capitão do Exército na reserva na Barra da Tijuca.

A figura de Moro na Operação Lava Jato desde 2014 levou à descoberta de uma vasta rede de corrupção envolvendo a estatal Petrobras, empresários de primeiro plano e líderes de quase todos os partidos políticos.

Pessoas importantes como Marcelo Odebrecht, da empreiteira de mesmo nome, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram levados à prisão.

A defesa do ex-presidente viu na entrada de Moro no futuro governo "a prova definitiva (...) de que Lula foi processado, condenado e preso sem ter cometido nenhum crime, com o claro objetivo de neutralizá-lo politicamente".

Moro indicou que já não realizará audiências judiciais "para evitar controvérsias desnecessárias".

A saída de Moro do tribunal de Curitiba se dá, segundo juristas, num momento em que a Lava Jato está chegando ao fim nesse estado, e orientando-se para Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

- Embaixada em Israel -

Moro é o quinto ministro do futuro gabinete de Bolsonaro, eleito no domingo com 55% dos votos e que assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2019.

Os outros são o general Augusto Heleno Ribeiro na Defesa; o deputado Onyx Lorenzoni como chefe de gabinete; o economista Paulo Guedes como um superministro da área econômica, e o tenente-coronel e primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes em Ciência e Tecnologia.

A definição de políticas e orientações tem mudado de direção, como no caso da fusão dos ministérios de Agricultura e Meio Ambiente, que, finalmente, pode não se concretizar, diante das críticas geradas de vários setores.

"Os próprios ruralistas acharam que não é o caso, para evitar pressões internacionais, entre outras coisas, e eu falei que estou pronto para voltar atrás", revelou Bolsonaro, no dia seguinte de Lorenzoni dizer que a fusão já estava decidida.

Bolsonaro, que conta com forte apoio das igrejas evangélicas, ratificou a sua promessa de campanha de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, indo no mesmo caminho que os Estados Unidos

"Como afirmado durante a campanha, pretendemos transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Israel é um Estado soberano e nós o respeitamos", tuitou.

Segundo a imprensa brasileira, a materialização dessa promessa poderia provocar represálias comerciais de países árabes, que são mercados importantes para as carnes brasileiras.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considerou a decisão "histórica".

- Moro, uma 'garantia de legalidade' -

A presença de Moro no governo pode significar, segundo os analistas, uma garantia de legalidade para Bolsonaro, que ao longo de sua carreira como deputado teve inumeráveis declarações contrárias aos direitos humanos e de admiração pela ditadura militar (1964-1985).

Será também "uma maneira de fortalecer o vínculo de Bolsonaro com o povo que votou por suas bandeiras contra a corrupção", disse o especialista em direitos humanos Daniel Vargas, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Segundo Vargas, "Moro sempre teve uma atitude política" e muitas de suas decisões "interferiram na dinâmica da política brasileira".

Ele cita como exemplo a divulgação de uma conversa em março de 2016 na qual a então presidente Dilma Rousseff sugeriu nomear Lula como ministro para dar a ele fórmum privilegiado, de forma a protegê-lo da justiça comum.

Em 1º de outubro, menos de uma semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais, Moro autorizou a publicação de acusações do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, contra Lula.

"Acho que do ponto de vista do debate brasileiro pode ser válido porque esclarece de que lado estão os atores centrais da política brasileira, e retira um pouco esse ar de pretensa imparcialidade que muitas vezes serve de esconderijo para a atuação política no país", acrescentou Vargas.

"Um cargo de ministro de Estado é um cargo de confiança do presidente da República, e se ele aceitar, significa que há uma confiança mútua", concluiu.

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