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Estado de Minas

EUA querem boicotar voto de condenação a embargo contra Cuba na ONU


postado em 31/10/2018 17:18

A Assembleia Geral da ONU debaterá nesta quarta-feira (31), pelo 27º ano consecutivo, uma resolução que pede o fim do embargo americano a Cuba, imposto há mais de meio século. Mas Washington tentará boicotar o voto apresentando emendas que exigem mais liberdades na ilha comunista.

Os Estados Unidos preveem apresentar oito emendas ao projeto de resolução cubano de condenação ao embargo centradas na defesa das liberdades na ilha comunista e no pedido de libertação de presos políticos.

"No ano passado, revertemos a política de Obama sobre Cuba na ONU, que não defendia os Estados Unidos quando Cuba estava nos condenando", assinalou à AFP um diplomata americano que pediu anonimato.

- 'Mais um passo' -

"Neste ano, demos mais um passo usando emendas para ilustrar por que nossa posição contra a ditadura cubana ainda existe", acrescentou o diplomata.

As emendas pedem que Cuba que acabe com as restrições às liberdades de expressão e reunião, à perseguição e ao assédio de dissidentes, e que libertem os presos políticos.

Também asseguram que Havana viola metas de desenvolvimento sustentável da ONU pela "ausência de mulheres em órgãos de tomada de decisões mais poderosos", pela "total ausência de independência judicial" e pela interferência do governo em negociações sindicais, assim como pela proibição de direito à greve.

As oito emendas serão debatidas e votadas individualmente, o que, segundo diplomatas cubanos e americanos, provavelmente atrasará para quinta-feira a votação de condenação ao embargo americano.

"Esperamos que outros se unam a nós na condenação de coisas em Cuba que a ONU condena de maneira rotineira em outras partes do mundo", afirmou o diplomata americano.

- 'Pretexto para endurecer o bloqueio' -

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, denunciou na terça-feira na ONU que, com as emendas, os Estados Unidos pretendem "criar um pretexto para endurecer o bloqueio contra Cuba", "tentar apresentar a ilusão de que existe apoio internacional a essa política" e "perturbar, ganhar tempo, criar confusão e dificultar" a aprovação da condenação do embargo.

O governo de Cuba assegura que desde que o presidente americano John F. Kennedy impôs o embargo, em fevereiro de 1962, menos de um ano após Fidel Castro declarar o caráter socialista da Revolução Cubana, este provocou prejuízos à ilha de mais de 134,499 bilhões de dólares (câmbio atual).

A resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro a Cuba tem sido aprovada a cada ano, desde 1992, na Assembleia Geral da ONU por uma maioria esmagadora. No ano passado, foi apoiado por 191 votos contra dois, os de Estados Unidos e Israel.

Em 2016, pela primeira e única vez, os Estados Unidos se abstiveram de votar contra a resolução em um contexto de aproximação bilateral do governo de Barack Obama com a ilha, depois de meio século de inimizade entre Washington e Havana, que incluiu a reabertura de embaixadas em ambas as capitais em 2015.

Mas depois da chegada à Casa Branca do republicano Donald Trump, em janeiro de 2017, e das denúncias de "ataques acústicos" contra cerca de 20 diplomatas americanos e seus familiares na capital cubana, as relações voltaram a ser tensas e as respectivas embaixadas funcionam no mínimo.

Há pouco mais de duas semanas, Cuba e Estados Unidos tiveram um incomum confronto na ONU.

Com gritos e socos nas mesas, 15 diplomatas cubanos boicotaram uma sessão convocada pelos Estados Unidos para expor a situação de 130 presos políticos na ilha.

O embargo a Cuba foi aprovado por lei e apenas o Congresso americano pode encerrá-lo, o que sempre se negou a fazer.

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