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Estado de Minas

Bolsonaro e Haddad retomam campanha em rádio e TV


postado em 12/10/2018 17:36

O duelo no segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad pela presidência entrou nesta sexta-feira na propaganda gratuita de rádio e TV, onde os dois candidatos apostam nos receios do eleitor, mas também em suas emoções.

No primeiro dia da propaganda na TV, Bolsonaro chegou a chorar e Haddad apareceu tocando guitarra.

Mas a estratégia do medo se manteve, em um país abalado pela falta de segurança, o desemprego e corrupção, e diante da mais eletrizante campanha eleitoral desde o retorno da democracia, em 1985.

No primeiro turno Bolsonaro obteve 46% dos votos e Haddad, 29%.

A mais recente pesquisa para o segundo turno, no dia 28 de outubro, dá ao candidato do Partido Social Liberal (PSL) 58% das intenções de voto, contra 42% para Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT).

- Menos rude -

Com uma campanha baseada essencialmente nas redes sociais, o capitão da reserva do Exército de 63 anos consolidou uma imagem de líder rude e direto.

Bolsonaro tem mais de 14 milhões de seguidores no Facebook, Twitter e Instagram, contra apenas 2,8 milhões para Haddad nas três redes.

Na campanha para o primeiro turno, Bolsonaro teve apenas oito segundos por bloco de propaganda na TV, contra 2 minutos e 23 segundos para Haddad, o que não evitou sua vitória esmagadora.

Na quinta-feira, Bolsonaro declarou ser um "admirador" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem geralmente é comparado por sua retórica ácida.

"Ele quer os Estados Unidos grande e eu quero o Brasil grande", afirmou.

Na propaganda iniciada hoje, Bolsonaro citou Cuba - "o país mais atrasado do mundo" - e uma Venezuela "devastada", advertindo que o Brasil está a um passo do "abismo" por culpa dos programas de esquerda promovidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Evitando se aprofundar nas propostas de governo, o capitão se apresentou como um homem de família e revelou - entre lágrimas - que a pedido de sua mulher reverteu uma vasectomia para voltar a ser pai.

"A minha vida mudou muito com a chegada de Laura e agradeço a Deus e à minha esposa por ela".

- Lula presente -

Haddad, que luta para reduzir a grande vantagem de seu adversário, aproveitou a propaganda para denunciar os episódios de violência que envolveram a campanha nos últimos dias e citar algumas de suas propostas, como a criação de empregos e um salário mínimo forte.

A propaganda do PT atribui a partidários de Bolsonaro casos de "mulheres que são agredidas nas ruas" por questões políticas.

Haddad, 55 anos, também aparece como um homem caseiro, pai de dois filhos, professor universitário, ministro da Educação e prefeito de São Paulo, além de guitarrista.

"Nossa campanha é a da sinceridade e da paz, contra os ataques e as mentiras no Whatsapp".

Haddad assumiu a candidatura do PT em 11 de setembro, no lugar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Após o primeiro turno, Lula disse a Haddad para deixar de visitá-lo na prisão, na sede da Polícia Federal em Curitiba, mas o candidato incluiu em sua propaganda elogios ao ex-presidente, colocando em dúvida a estratégia de distanciamento do líder petista.

Haddad espera que a propaganda de rádio e TV ajude a acabar com a vantagem do capitão, com quem luta em uma guerra sem quartel nas redes sociais, onde se refere a Bolsonaro como "mentiroso e charlatão".

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